domingo, 31 de janeiro de 2016

Passou como um vendaval.

Chegando recentemente do interior para morar na cidade grande, Ernesto pensava que seus ideais poderiam ser ligeiramente alcançados pelo fato de estar morando na agitação e correria da capital, mas o que parecia ser um passo na sua carreira nada mais era do que dois passos para trás na sua vida familiar.

Para quem acordava as 07:10 para estar no serviço às 08:00 hs, agora gastava quase sessenta minutos dentro de um veículo que o conduzia. O horário de almoço que lhe dava total liberdade de ir em casa almoçar ao lado da esposa Vilma e os filhos Luisa e Adam, agora parecia um juiz de futebol marcando os segundos restantes de prorrogação acrescentados ao longo jogo. E depois da lida, enfrentar cerca de uma hora de trajeto para estar em casa novamente. Certos passeios encareciam o custo de vida e a necessidade de investir mais em segurança consumia parte de seu salário, agora mais gordo. A rotina passou a ser: ligações celulares ao longo da noite, horas extras intermináveis, semana de segunda a segunda, relógio no braço até na hora do repouso, exigências por todos os lados e uma vontade desenfreada de construir um patrimônio.

Os anos passaram, cada dia mais distante e tão perto fisicamente da família, Ernesto olha para trás e vê o império que construiu com seu trabalho, mas algo parece ter ficado aos pedaços, ele não sabia o que era, no entanto a certeza de que estava parcialmente realizado era tão claro quanto o sol do meio dia. Escorregava entre os dedos, todo aquele cuidado e amor que sentia pelos seus; dos parentes distantes não lembrava mais e fazia questão de não procurar alegando que não foi procurado antes. Optou então em fazer a vida para depois ter tempo para curtir família com recurso suficiente.

Ernesto só queria melhorar a vida, mas corriqueiro e apressado em enriquecer, adquiriu uma dor de estômago que insistia em visitá-lo todos os dias e também uma hipertensão. Novo demais para aquilo tudo, mas dentro dele também o processo estressante do dia a dia deixava marcas definitivas em sua saúde. A notícia boa de tudo que passou, é que em vinte anos de trabalho Ernesto adquiriu alguns imóveis, uma conta bancária saliente e veículos de seus sonhos. Os filhos cresceram, estudaram, casaram e aprenderam os passos honestos do pai ausente. A esposa já não tinha mais sonhos a serem realizados, queria apenas estar com os cabelos escovados e unhas feitas, sem contar as plásticas que a deixaram dez anos e quatro meses mais jovem.

Ernesto olha como que por um retrovisor a sua vida que passou, em uma via em que não mais é permitido usar marcha a ré, mas se alegra na balança da vida por ter sustentado uma família dignamente, como um homem deveria sustentar. Agora com cinquenta anos, sente que os remédios causam efeitos colaterais e que o jeito é medicar para aliviar o efeito do outro remédio. 

Numa madrugada tranquila, a dor no peito aparece de forma repentina como antes costumava sentir, mas desta vez, não teve forças para tossir, como costumava antes fazer, acreditando que melhoraria o estado terrível que sentia. No silêncio da noite, aquele homem expira... Ali deixava todo o patrimônio, a família e a ansiedade de conseguir acompanhar as pernas que percorriam a vida profissional. O susto foi grande, mas o final chegou, tão moço, tão jovem, tinha a vida pela frente, eram essas as palavras de amigos e entes queridos.

Ernesto já não pode mais ver a sua balança favorável, aquela balança que fez tudo valer a pena. Os olhos que olham para a balança não são mais os deles, mas os olhos dos que ficaram. Interessante que; a balança mentia o tempo todo para ele, dando valores à trabalho, salário, imóveis, automóveis, dinheiro investido nos filhos e o patrimônio intelectual e material. A balança mentia o tempo todo, pois o ser humano não precisa de algo cada dia mais e mais, precisa somente da porção diária.

A herança causou discórdia, briga, incitou o ódio e a ganância dos herdeiros. A mãe já não olhava mais para os filhos, os irmãos já se desafiaram e ameaçaram uns aos outros, deixando claro a intenção de interromper se possível o fluxo da vida. Dinheiro, direitos, egoísmos, interesses, tudo isso nos corações daqueles que um dia deitaram abraçados na mesma cama para dormir em décadas passadas.

A balança era favorável à vida de sucesso daquele homem, e desfavorável à vida familiar. A balança inclinava-se para a razão do possuir, para a razão do adquirir, para a razão do bancar; acontece que o solo aonde estava fixa a balança, estava simplesmente inclinada para as coisas passageiras desta vida, e não em um piso plano, do qual simplesmente apontaria para as coisas que dão sentido a uma única coisa e que é causa de questão de muitos do planeta. A balança no solo plano, daria sentido favorável à vida, o saldo final de Ernesto poderia ser até vermelho no financeiro, porém na verdadeira razão de estarmos aqui estaria sempre azul; azul no viver que condiz com o propósito que o homem foi criado, a palavra para isso pode ser múltiplas, mas prefiro destacar a palavra família.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Meus desenhos I

Na postagem "Meus desenhos" vou dar sequência aos desenhos que fiz. Nestes aqui, são os que fiz usando caneta esferográfica:

Meu irmão usava o endereço da minha casa para as correspondências bancárias, sempre atrasava a fatura.


Jeremias, Fiat Uno Mille com "sonzera" e vários celulares tocando, ele ainda não tinha comprado um octal-chip. 11/11/2009



Geraldo adesivando ônibus e sofrendo uma queda. Baseado em fatos reais. 11/11/2009


Meu pai ensinando o Geraldo a dirigir, com toda a calma e dedicação de quem já sabe. 2009.

Abaixo, uma zueira sobre o serviço do meu irmão:



Sempre que meu irmão deixava o cabelo crescer, eu fazia um monte de brincadeiras em cima, só porque o cabelo dele era meio grande, moita, black power, etc...

Tirinha sobre a moita de Geraldo:



11/11/2009.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Jefferson e o seu Dão da mercearia.

Jefferson deveria ter uns seis anos de idade quando ocorreu este episódio em sua vida, estava no quintal com os irmãos brincando com latas de óleo de soja. Seu irmão mais velho jogou uma das latas por cima do muro na intenção de jogar fora, mas Jefferson não concordou com a ideia e resolveu ir no terreno vago ao lado da casa para buscar a lata. Agacha daqui, pula um entulho dali, abaixa uns matos de lá e pronto! Encontrou a lata... No momento em que abaixou para pegar, sentiu uma dor aguda na testa e um barulho ao mesmo tempo: "Pimmmmm". Acabava de receber uma lata vazia de óleo na testa. Saiu em disparada chamando a mãe, chorando com todas as lágrimas que tinha em estoque naquela semana e a testa já tinha subido um "galo".

A mãe pega uma faca de mesa e fez a testa diminuir de tamanho na raça, a princípio pensou que a madre iria cortar o galo no talo, mas era para pressionar até baixar o inchaço. Doeu duas vezes mais a "operação baixa galo" de sua mãe, e a vontade na hora era de gritar pela polícia.

Tudo explicado conforme tinha ocorrido, a mãe se compadeceu do menino e para fazê-lo parar de chorar e para que  não relatasse ao pai que tinha recebido uma lata de óleo na testa, disse as seguintes palavras ao menino: "Vai lá no seu Dão e compra balas pra vocês, mas é pra comprar três pra você e seus irmãos vão ganhar só duas."
Entendendo perfeitamente a mensagem da minha mãe, sendo três filhos então o total seria sete balinhas.

Entrando na mercearia sozinho, era uma distância de algumas casas apenas e já avistou aquele baleiro olhando e dizendo: "Me leva... Me leva".
Jefferson aproximou do balcão de maneira digna de um consumidor de balinhas e já intimou o dono da mercearia:
"A minha mãe falou que é para me dar três balinhas e meus irmãos vão ficar só com duas".
Seu Dão olhou e perguntou novamente o que o garoto queria.
"É que minha mãe falou que eu vou ganhar três balas e meus irmãos não, eles vão ganhar só duas".

Jefferson entregou o dinheiro e o vendedor perguntou quantas balas queria levar, mas o garoto repetiu a mesma frase. Seu Dão não entendendo pegou aquele dinheiro e perguntou se queria comprar balas, o garoto explicou novamente, na intenção de não levar prejuízo na divisão das balas, ele estava preocupado em ficar com mais balas que os irmãos e disse: 
"Sabe o que é; é que meu irmão me tacou uma lata na cabeça, aí minha mãe falou que por isso eu vou ganhar três balas e eles apenas duas."
Seu Dão pegou um saco de papel e encheu de balas, e não colocou em saquinhos separados conforme Jefferson pensou que seria, afinal de contas, o vendedor não era obrigado a saber a quantidade de irmãos que ele tinha.

Chegando em casa, tinha mais balas do que o dinheiro poderia comprar, Jefferson pensou que seus irmãos ficariam cada um com duas balas e ele ficaria com todo o resto do saquinho cheio. Sua surpresa foi que ao ver tanta bala no saco, sua mãe acabou por repartir igualmente.
Jefferson não ganhou nada com essa história, apenas uma lata e um galo, agora abaixado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Raridades por onde passo IX.

Celular na agulha para capturar as imagens dos guerreiros, desta vez outro Corcel I, Fuscas e GM Chevrolet...
Ford Corcel 1973 - Conversando com o novo proprietário, ele disse que fez uma nova pintura e que está caracterizando como Corcel GT. Pagou R$6.000,00 há 1 ano. Gastou mais R$5.000,00 com peças e acessórios. Não vende, já perguntei.


GM Opala 1972 - Está com placa amarela, muito original e não vende nem a pau. (Fonte segura).

GM Opala 1972 - Este dá até dor de barriga se o proprietário me falar que vende.


GM Opala Diplomata 1987 - (Não tive mais informações). O dono vendia na época, mas esse modelo não me interessava somado a ausência de dinheiro na minha conta corrente. Snif...



VW Fusca 1968 - Era um Fusca mineiro, agora reside no Paraná.


VW Fusca 1968.


VW Fusca 1969 - Esse aqui tem história pra contar, 40 anos na família e agora está morando comigo com todas as despesas pagas.

 Todos estes carros estão ou estavam na cidade onde moro; ainda com dificuldades temos estes guerreiros desfilando nas ruas, pretendo mostrar mais algumas raridades e continuar registrando fotos das raridades por onde passo. Até o nº 10!





sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Jefferson, Jeferson, Jerfeson, Jefersson, Jerferson...

Quando fui no cartório registrar o nome da minha filha, a atendente perguntou como eu queria que registrasse o nome do bebê, antes que ela terminasse de sugerir aquelas letras: Y, L e sei lá o que, interrompi a pergunta com a frase: "O mais simples possível, sem essas coisas de letras repetidas..."
A mulher deu um leve sorriso e continuou o procedimento para registrar a criança.

Eu gosto do meu nome, ainda mais que foi o meu tio que escolheu... Este meu tio é muito inteligente e admiro ele bastante, tanto é que gostaria de ter pelo menos um pouco da inspiração que ele tem para escrever sobre tanta coisa e vários assuntos. Quando minha certidão de nascimento foi lavrada, eu recebi o nome de Jefferson. Até aí tudo bem... Na escola nunca tive problemas para dizer meu nome, o mais difícil que aproximava era a pergunta: "Com dois efes?" Eu sempre balançava a cabeça e acenava um "joia" com a mão direita.

De alguns anos pra cá, estou notando duas situações; ou eu preciso de uma fonoaudióloga, ou meu receptor no diálogo sempre é alguém que não lava as orelhas, tampouco faz uso de cotonetes. Veja só o que me aconteceu em apenas três situações...

Cena 1.
No escritório da empresa, fui receber os EPI's (Equipamento de proteção individual) direto das mãos do técnico de segurança do trabalho. Na hora ele me perguntou o nome e como parecia estar um tanto quanto desorganizado com as coisas em cima de sua mesa, optou por escrever meu nome em um bloco de anotações e junto meus dados. 
"Seu nome por favor..." Ele perguntou, já com a caneta apontada para o papel e os óculos abaixados para enxergar melhor.
"Jefferson Nunes" Respondi normalmente.
"Como?" Ele olhou por cima do óculos.
"Jefferson" Reforcei.
"Jeverson?" Olhando para mim, com os olhos por cima da armação, quase na ponta do nariz.
"Je- fer- son" Assim eu falei, separando as sílabas. Esta foi a pronúncia audível.
O técnico de segurança começou a escrever; quando vi o nome pela metade interrompi quase colocando a mão na caneta, evitando que continuasse a escrever.
"JEFFERSON" em um tom mais enérgico eu pronunciei meu nome novamente, foi aí que ele tirou o óculos da cara e disse:
"Ah tá, com efe? Jefferson?"
Feliz da vida e com a sensação de missão cumprida eu sorri e afirmei meu nome mais uma vez.
Ele passou um traço no nome e escreveu corretamente o meu nome e encerrou dizendo: "Jefferson... Com efe... Diferente, hein?"
Saí da sala dele e fiquei tentando encontrar na vida um ser humano que chama-se Jeverson... Nunca encontrei em todos estes anos.

Cena 2.
Passando a documentação para fazer o registro de um lote, o despachante perguntou meu nome, telefone, e-mail e disse que entraria em contato comigo assim que estivesse tudo liberado. Quando olhei no papel o que ele havia escrito eu queria ter pegado o papel e esfregado na cara dele... Desculpe! Acho que as emoções saltaram e esbarraram na tecla do computador... Mas voltando ao acontecimento: Eu disse para ele: "O senhor escreveu meu nome com a letra 'V' e o meu nome é com 'F', é Jefferson meu nome."
O despachante olhou para mim e disse assim: "Com efe? Diferente hein, meu irmão também chama Jeverson, o nome dele é com 'V'."
Aí eu não aguentei, quase dei uma risada na frente do homem, certamente ele pensaria que eu estivesse ficado louco ou outra coisa parecida.
Saí de lá indignado... Achei um JeVerson... Jeverson... Que coisa, viu...

Cena 3.
O camarada me chamando de Jerfeson... Eu desisti de consertar o nome e até hoje para ele meu nome é Jerfeson. Estou igual a história do "Velho, o menino e a mulinha" escrito por Monteiro Lobato. A história cita a seguinte frase: "Já vi que morre doido quem procura contentar toda a gente". 
No meu caso, não querendo contentar, mas somente que todos entendessem que meu nome não é nada diferente no mundo, eu me chamo Jefferson... Com dois "efes".

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Metas e alvos... Ex-pansa. (1)

Não é porque começou o ano de 2.016 que devemos repensar os objetivos, afinal de contas se tem o nome de objetivo é porque é praticamente um alvo a atingir e não pode ser remodelado com o passar dos anos. O ano passou, já cheira mal os restos mortais de 2.015 e o ano novo já está dando os primeiros passos. Se a duração da vida do ano são 12 meses podemos dizer que mês que vem já estará comendo papinha e em Março já roerá o osso da costela assada.

Meta: Objetivo e finalidade.
Alvo: Ponto da mira.
Sendo assim, esses substantivos referem-se a algo que pretende-se alcançar. Eu planejei alcançar o que não alcancei no ano passado e desta vez percebo que deve haver uma soma de empenho + preparação + oportunidade.
Não vou colocar uma sequência de metas aqui para eu ter que me envergonhar no final do ano, mas dentre as metas que tenho, separei as metas físicas e mesmo assim vou colocar somente a primeira.
Objetivo 1 - Deixar de estar qualificado na balança como: sobrepeso. 
Dia 04 de Janeiro: 93,5 Kg para uma pessoa de 1,81 de altura. Minha meta seria: 75 a 80 kg.
Vamos lá...
Cortar TODOS refrigerantes, mesmo sendo no dia em que estiver comendo uma carne assada, pizza ou um pastel na feira...
Boa sorte para mim!
Eu que agradeço!