sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Jefferson, Jeferson, Jerfeson, Jefersson, Jerferson...

Quando fui no cartório registrar o nome da minha filha, a atendente perguntou como eu queria que registrasse o nome do bebê, antes que ela terminasse de sugerir aquelas letras: Y, L e sei lá o que, interrompi a pergunta com a frase: "O mais simples possível, sem essas coisas de letras repetidas..."
A mulher deu um leve sorriso e continuou o procedimento para registrar a criança.

Eu gosto do meu nome, ainda mais que foi o meu tio que escolheu... Este meu tio é muito inteligente e admiro ele bastante, tanto é que gostaria de ter pelo menos um pouco da inspiração que ele tem para escrever sobre tanta coisa e vários assuntos. Quando minha certidão de nascimento foi lavrada, eu recebi o nome de Jefferson. Até aí tudo bem... Na escola nunca tive problemas para dizer meu nome, o mais difícil que aproximava era a pergunta: "Com dois efes?" Eu sempre balançava a cabeça e acenava um "joia" com a mão direita.

De alguns anos pra cá, estou notando duas situações; ou eu preciso de uma fonoaudióloga, ou meu receptor no diálogo sempre é alguém que não lava as orelhas, tampouco faz uso de cotonetes. Veja só o que me aconteceu em apenas três situações...

Cena 1.
No escritório da empresa, fui receber os EPI's (Equipamento de proteção individual) direto das mãos do técnico de segurança do trabalho. Na hora ele me perguntou o nome e como parecia estar um tanto quanto desorganizado com as coisas em cima de sua mesa, optou por escrever meu nome em um bloco de anotações e junto meus dados. 
"Seu nome por favor..." Ele perguntou, já com a caneta apontada para o papel e os óculos abaixados para enxergar melhor.
"Jefferson Nunes" Respondi normalmente.
"Como?" Ele olhou por cima do óculos.
"Jefferson" Reforcei.
"Jeverson?" Olhando para mim, com os olhos por cima da armação, quase na ponta do nariz.
"Je- fer- son" Assim eu falei, separando as sílabas. Esta foi a pronúncia audível.
O técnico de segurança começou a escrever; quando vi o nome pela metade interrompi quase colocando a mão na caneta, evitando que continuasse a escrever.
"JEFFERSON" em um tom mais enérgico eu pronunciei meu nome novamente, foi aí que ele tirou o óculos da cara e disse:
"Ah tá, com efe? Jefferson?"
Feliz da vida e com a sensação de missão cumprida eu sorri e afirmei meu nome mais uma vez.
Ele passou um traço no nome e escreveu corretamente o meu nome e encerrou dizendo: "Jefferson... Com efe... Diferente, hein?"
Saí da sala dele e fiquei tentando encontrar na vida um ser humano que chama-se Jeverson... Nunca encontrei em todos estes anos.

Cena 2.
Passando a documentação para fazer o registro de um lote, o despachante perguntou meu nome, telefone, e-mail e disse que entraria em contato comigo assim que estivesse tudo liberado. Quando olhei no papel o que ele havia escrito eu queria ter pegado o papel e esfregado na cara dele... Desculpe! Acho que as emoções saltaram e esbarraram na tecla do computador... Mas voltando ao acontecimento: Eu disse para ele: "O senhor escreveu meu nome com a letra 'V' e o meu nome é com 'F', é Jefferson meu nome."
O despachante olhou para mim e disse assim: "Com efe? Diferente hein, meu irmão também chama Jeverson, o nome dele é com 'V'."
Aí eu não aguentei, quase dei uma risada na frente do homem, certamente ele pensaria que eu estivesse ficado louco ou outra coisa parecida.
Saí de lá indignado... Achei um JeVerson... Jeverson... Que coisa, viu...

Cena 3.
O camarada me chamando de Jerfeson... Eu desisti de consertar o nome e até hoje para ele meu nome é Jerfeson. Estou igual a história do "Velho, o menino e a mulinha" escrito por Monteiro Lobato. A história cita a seguinte frase: "Já vi que morre doido quem procura contentar toda a gente". 
No meu caso, não querendo contentar, mas somente que todos entendessem que meu nome não é nada diferente no mundo, eu me chamo Jefferson... Com dois "efes".

Um comentário:

  1. E a minha colega chama: Dyenniffer.
    Quer nome mais simples que João?

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