quarta-feira, 27 de maio de 2015

Golpe de mestre.

Não sei dizer o que acontece fisiologicamente quando uma pessoa está ansiosa; certamente um turbilhão de emoções atravessam o corpo de uma pessoa quando se está assim. Eu não sou médico, nem estou cursando enfermagem, porém as sensações de desandar o estômago no momento da ansiedade é bem característico e normal.

O telefone estava no bolso direito da calça como de costume e no modo "silencioso" devido a uma reunião matinal, acontece que deixei o aparelho neste modo até a tarde. Quando o sol já "estralava" na minha nuca branca, pensei que talvez alguém tivesse me ligado e resolvi dar uma olhada no aparelho... Nada de novidades, ninguém ligou, ninguém mandou SMS e muito menos deu aqueles toquinhos para lembrar que estão vivos; mas tudo bem, meu celular solitário e isento de chamadas estava até morno quando voltei para a posição "toque normal".

Uma coisa que acontece com frequência, é o fato de esperar uma ligação e ela não acontecer naquele período em que mais se olha no aparelho do que respiramos. Inacreditável... Vigiar o aparelho como se vigia um gato para não devorar o bife no prato, e o dito cujo permanecer calado, sem vibrar, sem tocar... É sempre assim, por fim o aparelho é devolvido para o bolso e a esperança entra no primeiro táxi que passa, te deixando na mão com as bagagens sem rodinhas.

Passaram-se alguns minutos, e repentinamente o aparelho toca... Puxar o celular do bolso com todo o cuidado para não rejeitar a chamada é praticamente uma cirurgia cardíaca. Necessário todo um preparo e um perfeito manuseio, ainda mais com esses touch screen do futuro. Eu bem que poderia puxar o aparelho de uma vez, porém se a ligação fosse rejeitada eu iria chorar, ainda mais se fosse a esperada ligação.
Alô? Atendemos o telefone como estivéssemos perguntando, e outros atendem como se estivéssemos acabando de passar por eles na praça: "Oi"...

Qual não foi a surpresa; a ligação esperada e tão sonhada acabava de acontecer ali, estávamos a sós: Eu e a tecla "atender", bem ao lado de "rejeitar". Não pense que sou apavorado, não pense que não tenho coordenação motora, pois nada de ruim aconteceu. Atendi o celular normalmente tentando não esboçar nenhuma reação de desespero com ansiedade; e no final ouvi a resposta que precisava para o meu projeto... Puxa vida, esperei tanto, Deus é bom!

Continuei trabalhando, mas a ansiedade começava a apoderar-se de meu estômago... Sei lá parece que levei um golpe de judô no estômago (judô também dá pancada?) ou parecia uma vontade mesmo de ir ao banheiro. Pulando esses detalhes, trabalhei o resto do dia, e fiquei sabendo que meu projeto estaria dando certo, tendo eu que estar em encontro marcado no outro dia de manhã cedo. Fiz o que pude, o que era para ser feito, não deixei tarefas para o dia com exceção o estudo de uma prova na quinta-feira... Mas... Vamos ver o que dá!

Duas horas da manhã, eu pensando em dormir e o sono deve estar chegando de Fusca (condução mais lenta que me veio a mente), ou quem sabe de ônibus mesmo. Só sei que mesmo sem sono, vou desligar o computador, escovar os dentes, fazer oração e esperar o nocaute da pestana me acertar em cheio defronte a face. Resumindo; de ansiedade para amanhã, estou acordado agora e sei que quando for a hora de levantar, vou ter tanto sono que será uma luta deixar minha cama. Tudo isso por que? Porque o Jefferson não deitou mais cedo para dormir... E por que não? Estava sem sono! Saiba que ficar acordado não te aproxima do outro dia, faz o anterior ficar maior e o próximo curto. Significa que vou estar com os olhos ardendo e louco pra dormir mais daqui a pouco, e ainda neste exato momento penso que estou sendo esperto em ficar acordado.

Se eu pudesse falar comigo amanhã cedo eu diria: "Você é muito iditota! Deveria ter dormido mais cedo, levantado e tomado um banho para trabalhar e para ir ao encontro do seu projeto realizado!" 
Mas eu agora estou dizendo a mim mesmo: "Mesmo você deitando cedo, iria rolar para todos os lados da cama, e só cairia em sono profundo lá pelas duas da madrugada."
Agora meu parecer real: "De todo jeito, amanhã vou me arrepender de ter dormido tarde, mas estarei motivado pelo meu encontro com meu projeto concretizado"
Uma coisa é certa, a sensação de areia de reboco estará passeando em seus globos oculares, bocejo um atrás do outro e aquela moleza estarão junto comigo e meu celular... E eu aqui pensando que dei um golpe de mestre por estar acordado. Acordar amanhã? Aonde vi isso? Na verdade acordei ontem; esse ontem não me viu dormir ainda. Estou dormindo hoje, que seria amanhã caso eu dormisse um dia antes...