terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Eu quero ou preciso?

Estava no supermercado fazendo compras, andando e verificando corredor por corredor os itens que estavam em oferta. Na verdade quando vou comprar, gasto mais tempo procurando o que deve estar faltando em casa do que comprando aquilo que já sei que acabou.
Eu não tenho mais stress no supermercado como antes, afinal de contas aprendi a fazer dali o meu passeio a paisana. Não posso esquecer de mencionar que aparece uma pequena agitação ou nervosismo, quando o operador de caixa parece mais estar na praia tomando água de côco do que passando os itens no leitor de código de barras.

E foi exatamente nesse ambiente de compras que chegamos ao corredor de brinquedos, minha filha puxou-me pelo braço com uma força de uma criança de dez anos sendo que ela tem apenas três de idade... O que me impressionou não foi a forma de tentar me puxar para o corredor, mas o argumento que usou para me levar até lá. Disse de forma séria e direta: "Eu preciso de uma bola, eu preciso!".

A verdade é que no quarto dela existiam pelo menos duas bolas, e a necessidade de mais uma era puro argumento. Ela não precisava de uma bola, ela queria outra bola... E foi aí que fiquei pensando... Nós temos duas inquietações na vida: Aquilo que precisamos e aquilo que queremos.

O ser humano precisa de uma vestimenta...
Mas pode querer uma camisa de marca.
O ser humano precisa de alimento...
Mas pode querer um rodízio na churrascaria ao invés de um P.F (prato feito).
O ser humano precisa de um emprego...
Mas pode querer trabalhar em uma grande empresa.
O ser humano precisa de afeto...
Mas pode querer se aventurar em qualquer relacionamento.
O ser humano precisa de amizades...
Mas pode querer se destacar nas conversas de roda amigo.
O ser humano precisa de recursos...
Mas quer algo mais, dominado pela ganância.
O ser humano precisa sentir-se bem...
Mas quer ostentar uma vida inalcançável ainda que por algum tempo.
O ser humano precisa de paz...
Mas quer tirar a do outro primeiro antes de ter a sua.

Nossa ansiedade gira em torno de tudo que precisamos, mas a volta é reforçada em torno do que queremos. A capacidade do homem não pode ser medida quando o assunto é alcançar objetivos, atingir metas ou sonhos. Tudo seria mais agradável caso pesássemos na balança da vida o que tem mais valia, se é o que queremos ou o que precisamos. Faça a diferença neste próximo ano, aproveite que os calendários vão iniciar com o número 2.016 e tenha o objetivo de separar aquilo que precisa e aquilo que quer. É muito simples, as coisas que eu quero são na maioria das vezes para meu próprio ego ou prazer. Aquilo que eu preciso é combustível para prosseguir, é a minha porção diária.

Um comentário:

  1. O ser humano com seus excessos desnecessários.
    Bem entendido.

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