sexta-feira, 18 de julho de 2014

Tentando entender.

Não vá achar que sou uma pessoa complicada, muito pelo contrário, tento ser o mais simples possível para entender os outros aqui por perto, acontece que de tanto tentar compreender, esgota-se o suprimento de compreensão e só me resta olhar para tudo isso e ficar sem entender "nadica de nada".

Que as pessoas tenham seus gostos, particularidades, ideias, vícios, vontades, costumes e manias; tudo bem... Mas, por mais que essas coisas são de responsabilidade de cada um, ou seja, aquela frase famosa de que ninguém tem nada com a vida de ninguém, eu mesmo não sou obrigado a suportar todas as baboseiras que meu "vizinho" quer falar...

Gosta de música? De roupas? Penteados? Gírias? Trejeitos? Comidas? Bebidas? Manias? Etc...
Que cada um tenha suas preferências isso é bem verdade, mas como posso sobreviver em um lugar em que o outro quer me ingressar na família dele? Como posso conviver com aquele que deseja me agregar em "seu ecossistema"? É de bater a palma da mão na cara e esfregar a face de tanto incômodo que me pressiona.

Veja bem, pense comigo: O "Zezin" gosta muito de ouvir um estilo de música, talvez por suas palavras aceleradas, lerdas, ou baixo calão; mas aí o "Zé" nem tem noção do que está ouvindo, mas gosta e faz questão de deixar o próprio aparelho celular tocando em volume alto aquela música... Se é que pode ser considerada música. Bem; parando para ouvir a letra, para entender o que há de tão legal naquele batidão, percebi que existem frases obscenas que retratam a podridão de relacionamentos sexuais ilícitos. Música que fala em traição explícita, da desvalorização da mulher, do homem, da família e da sociedade. O que estamos vivendo? Será que é isso mesmo? Será que eles não conseguem ouvir a letra? Ouvem somente as pancadas de seus sons potentes com aqueles tons graves trepidando as placas do automóvel. E mais, além do celular, tem a caixa que toca mp3, e os famosos porta malas abertos com apenas alguns centímetros dando vazão ao barulho, anormal, sem sentido e de letra imunda.

Mulheres usando roupas depravadas e sendo motivo de próprio destrato por parte de homens, roupas que seriam para dar elegância ao cobrir a nudez, simplesmente estampam a falta de valorização do próprio ser, do próprio corpo; este sendo a única coisa que se pode dizer que é propriedade. Mas a tal ilusória propriedade, passa a ser área pública daqueles que nunca vão valorizá-las como pessoa, como mulher, como mãe, como um ser humano digno de respeito.

Linguajar improvisado, descuidado, despreparado, e além de tudo passa a ser admirado por aqueles que também substituem palavras por seus "apelidos" no meio que vivem. Passam a dizer palavras vulgares e o costume de xingar muito durante uma conversa é ponto positivo na rodinha de prosa. Daqui a pouco precisará de um novo dicionário para entendermos a gíria destes que sentem-se orgulhosos por falar assim, em uma frase de dez palavras, seis delas são gírias.

Como o ser humano pode mudar tanto assim? Como pode uma pessoa ser criada, alfabetizada e mesmo depois disso criar seus próprios "dialetos" do "mundinho" deles. Como pode começar a fazer tudo que bem entender e no final quase obrigar o outro a participar dos costumes e dos gostos particulares? O ser chamado homem, abrangendo a todos, acredita que quando cria um estilo, atrai admiradores para si. Ser o ignorante, o bruto, o machão, o pegador... Pensa que atrai sobre si grandes vantagens... A mulher que não preserva a si mesmo, pensa que terá a juventude toda pela frente sem haver nenhum déficit em sua beleza longa e duradoura; acaba jogando pelo ralo toda a sua oportunidade de estar ao lado de uma pessoa que possa ajudá-la a caminhar, formando família, e reestruturando a base chamada sociedade.

Dizem que o ser humano é dotado de raciocínio, diferente dos animais. Engraçado, pois animais não perturbam uns aos outros na intenção de demonstrar o que tem, o que é, ou que gosta. Animais não se desprezam mutuamente na ousadia de ser superior ao outro. Animais não se destroem simplesmente pelo ato de curtir um prazer, um momento ou um vício. Animais não se ofendem pelo momento de descuido... Animais não fazem um monte de coisas que nós fazemos, e olha que são irracionais. Colocando tudo em uma grande balança, em que de um lado está os irracionais e do outro os chamados pessoas racionais; de qual lado o peso do que tem que ser justo, integro, correto e de paz irá prevalecer? 

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