domingo, 1 de dezembro de 2013

Uma só borracha, dois possíveis donos.

Aos sete anos de idade Jefferson já tinha "uma causa na justiça" por conta de algo produzido pela Seringueira. É claro que esta árvore não produz a borracha de forma pronta para o uso escolar, mas com os meios corretos se chega lá.

Existiam vários tipos de borracha para se usar na escola, mas aquela, que tinha um revestimento azul em volta era a que o garoto gostava, porque ao apagar as escritas do lápis, parecia que quase não ficavam marcas do que foi apagado; ao contrário das outras...

Achar uma borracha dessa em casa era uma sorte, inesperado, um milagre!!! Nada disso; encontrar uma borracha com essas características em casa significava que alguém era o dono dela, por sinal o irmão mais velho. Jefferson não pensou duas vezes: "Achado não é roubado!"... Guardou a borracha em sua mochila e esperou para usá-la na aula. Foi a escola, voltou para casa e foi fazer a lição, conforme de costume.

O irmão mais velho estudava no mesmo turno da manhã, mas somente quando chegou em casa percebeu que Jefferson estava de posse de uma borracha muitíssima parecida com a dele que havia sumido. Questionando o irmão, teve a única resposta: "A borracha é minha!". Não sabiam, mas o caso da borracha havia chegado em última instância: A mãe decidiria quem ficaria com a borracha revestida por um objeto azulado. E o caso encerrou assim:

Mãe: De quem é esta borracha?
Jefferson: Minha!
Irmão mais velho: É minha mãe, eu esqueci de guardar ela, mas é minha!
Mãe: É sua mesmo Jefferson?
Jefferson: É!
Mãe: Ou é sua?
Irmão mais velho: Não mãe; é minha, é minha...
Mãe: Já que é dos dois, vou partir no meio e dar para os dois!
Jefferson: Isso mesmo! Parte logo! Nem um nem outro!
Irmão mais velho: Ah não mãe... snif... (começando a chorar)

Resultado: Borracha entregue ao irmão mais velho, que chorou ao saber que perderia parte da borracha, enquanto Jefferson estava louco para continuar nem que fosse com a metade dela.

Passando por um lugar, vi uma ilustração pintada na parede do acontecimento de Salomão (Bíblia Sagrada) decidindo sobre o caso de duas mulheres que alegavam ser a mãe de determinada criança. Logo me lembrei do meu caso parecido e revivi minha infância escrevendo aqui o que aconteceu comigo, quando eu perdi a minha primeira "causa na justiça".




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