sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O horário de inverno.

A verdade é que eu nunca gostei deste tal de "horário de verão". E sempre em seu término é divulgado relatórios sobre a economia de energia elétrica alcançada nos estados que seguem o referido horário.

Hoje, uma frase se tornou em melodia para os meus ouvidos: "Amanhã à meia noite, termina o horário de verão."
Nem acredito que logo estará voltando o horário normal... Foi depois de ouvir a adorável frase; que lembrei-me de um caso que não aconteceu comigo, mas que refletiu diretamente à mim.

Em 2003 tínhamos na empresa como chefe, uma pessoa bastante séria, de pouca conversa e de semblante sisudo. Era o gerente que todo mundo tinha medo de perguntar algo para ele, embora educado para conversar, não media as palavras na hora de responder.

O tal horário de verão iria começar à meia noite daquele dia e lembro-me que deveríamos estar em serviço às 06:00 hs da manhã, pois se tratava de uma empresa que funcionava todos os dias, era um posto de combustíveis. Nisto o gerente relembrou aos dois funcionários que trabalhariam no dia seguinte sobre a mudança no horário e exigiu que não chegássemos atrasados por causa da diferença de uma hora no relógio de ponto da empresa. Nem preciso dizer que os dois funcionários citados aqui eram Cléber e eu.

Às cinco horas da manhã eu me levantei, tomei o café da madrugada e vesti o uniforme; saí de casa rumo ao trabalho estranhando aquela escuridão e sentindo um pouco de frio. Sempre estranhamos.
Cheguei no posto, fiz a conferência e quando foi por volta de 06:00 hs o vigilante despediu-se, indo embora descansar, apesar de tirar umas sonecas intercaladas na madrugada.

Quase 06:30 hs, atendendo um cliente aqui, outro alí... Cadê o Cléber?
O relógio estava marcando 07:00 hs e o telefone tocou.
Pensei: "Deve ser o atrasado"...
_Jefferson, bom dia, está tudo bem aí? _Perguntou o gerente.
_Está sim... _Respondi sentindo gelar a espinha.
_Qualquer coisa eu passo aí mais tarde. _Já foi despedindo e desligando.
O gerente tinha uma voz bem grave e de manhã então; ganhava do Cid Moreira. Mas a minha preocupação maior estava no meu colega de serviço que com certeza estaria chegando a qualquer momento. Minhas expectativas naufragaram quando passou uns vinte minutos depois da ligação. O gerente acabava de chegar no posto, e nada do atrasado Cléber.

Para nossa "sorte" o gerente morava à cinco minutos dali, então não custava nada ele passar pelo posto antes de ir ao supermercado, padaria ou coisa parecida. Ele me questionou sobre o dorminhoco que não havia chegado e eu disse que não sabia de nada ainda, tentei aliviar dizendo que o movimento no posto estava fraco... Para o azar do esquecido, o gerente resolveu ficar ali, batendo um papo forçado até a chegada do segundo funcionário.

Precisamente às 08:00 hs da manhã, vejo Cléber atravessando a rua calmamente como se estivesse no País das Maravilhas. Percebo que ele vê de longe o gerente encostado na parede e olhando sério para ele, naquela hora dei dois passos para trás e esperei o Cléber ser brutalmente... Desculpe! É que empolguei ao relembrar do "medão" que tínhamos dele. Mas veja o que aconteceu na verdade, segundo as explicações do próprio Cléber: "Uai! Agora que é 06:00 hs!!!"
Depois de uma breve explicação, o homem sério, de poucas palavras e semblante sisudo, deu algumas gargalhadas e eu não me contive com o relato e ri também.

Cléber; no sábado que antecedia o horário de verão; ao invés de adiantar o relógio em uma hora; atrasou em uma hora. Quando à meia noite; o relógio de todos foram para 01:00 da madrugada; o relógio dele foi o único que marcava 23:00 hs. Este deveria chamar, horário de inverno, de primavera, outono... menos de verão. Pela primeira vez alguém chega atrasado precisamente 2 horas exatas no trabalho e não precisa voltar para casa. Fui testemunha ocular deste caso. Muito tempo passou, este colega mudo-se de Minas Gerais e mesmo assim eu não esqueço dele; do seu atraso; dos risos do gerente; e o principal: que no horário de verão, adianta-se o relógio em uma hora.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Consequências.

A máquina do tempo nunca existiu e também nunca existirá um equipamento que faça regressar datas para que seja reparado algum feito cometido no passado. Então todos sabemos que os atos praticados não poderão ser revertidos. Sendo assim; a palavra proferida, a oportunidade perdida e a pedra lançada, não voltam mais atrás.

É sempre bom ter em nossos calendários o tão esperado feriado para que possamos descansar, passear, divertir... O presente momento em que vivemos tem toda ligação com este assunto. Afinal de contas é carnaval.

O Brasil vive estes dias como algo de festa em suas comemorações, no entanto o que pesa no final da soma são apenas as consequências destes dias descontrolados, desenfreados...
Lógico; existem pessoas que tem o cuidado na hora de sair de casa, pensam em voltar. Mas existem um grupo de pessoas que saem para as comemorações e festejos, e não se preocupam em se preservar em todos os sentidos. Quando digo preservar, digo em relação a própria vida.

O balanço* de carnaval no ano passado (2011) nas rodovias federais, registrou 4.165 acidentes com 2.441 feridos e 213 mortos, tendo um índice de crescimento 47,9% a mais que no ano de 2010. Vemos o crescimento assustador deste massacre carnavalesco quando olhamos que tais acidentes foram ocasionados por motoristas embriagados, sonolentos, despreparados, imprudentes e aventureiros. O que é de assustar é o tempo em que ocorrem tais acontecimentos tristes e que duram por toda a vida; foram na época do carnaval.

Fazendo uma conta proporcional, levando em consideração os mesmos índices de crescimento e os mesmos índices de irresponsabilidade, teremos em média algo em torno de 6.160 acidentes com 3.610 feridos e 315 mortos nesta época de carnaval nas rodovias federais.

Em que área do Brasil se cresce 47,9% em 1 ano?
Enquanto o condutor usar o automóvel de forma irresponsável e não como um meio de locomoção, ele terá em suas mãos não um carro ou uma moto, mas uma arma eficazmente letal. Daí em diante, não existe máquina do tempo para voltar ao passado e não cometer a barbaridade já cometida.

http://www.cnt.org.br/paginas/Agencia_Noticia.aspx?n=7416

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O perseguido polegar.

As brincadeiras de crianças nunca são planejadas em hipótese alguma, levando em consideração os riscos de queda, fratura, prejuízo ou dano à elas ou terceiros.

Na minha época de agir de tal forma citada acima, tinha ao meu lado os "irmãos coragem"; coragem para topar qualquer parada, desde, "voar" de bicicleta, até, caminhar pelo telhado e chegar na rua de baixo.

A primeira brincadeira sem graça que está em minha memória e no meu polegar da mão direita, aconteceu por volta dos meus seis ou sete anos de idade. Peguei a bicicleta do vizinho emprestada e sai alucinado pelo quintal de casa, que por sinal era cheio de curvas e bastante longo. Devido à "topografia" do terreno, não precisava muito pedalar para chegar ao final do tal corredor. Imagine então quando se aplica ao pedal algumas fortes pedaladas... Lá ia a bicicleta a toda velocidade quando por um "sei lá o quê" entrei desgovernado na segunda curva do tanque de lavar roupa. Para resumir: O dedão destroncou com a queda! Foi isso que o médico disse, pois o osso estava fora do lugar.

Alguns meses depois; andando pela calçada com a minha mãe, inventei de carregar nos braços a filha da vizinha; eu com meus sete anos e a menininha com seus três ou quatro. Não sei quem foi mais irresponsável, se foi eu em querer carregar a garotinha ou a mãe dela em ter deixado, pois nesta hora ela estava presente. Como sempre, gostava de correr até mesmo à pé. Uma perna deixou de acompanhar a outra e a cabeça da garotinha fez um peso para o lado oposto... Resumindo: A menina bate a cabeça em cima do mesmo dedão! Outra vez ao médico, faixa e mão mobilizada.

Mais alguns meses se passaram e estávamos na casa da minha avó. Crianças para todo lado e alguns vizinhos da rua também; entre eles o eterno: Bilíca!
Brincadeira de luta, medições de força e lá vem meu irmão mais velho pensando ser o Bruce Lee ou até mesmo algum lutador de artes marciais como o Jean-Claude Van Damme. Não sei o porquê de sua admiração por esta arte violenta, mas sei que isto me custou o mesmo dedão fraturado. Exatamente! Um chute tão rápido, e eu pensei  que pudesse me defender. Resumindo de novo: Dedão de novo!

De tanto fraturar o mesmo dedo em menos de um ano, nasceu um risco que percorre quase toda a extensão do "Dedão Duro de Matar" e basta olhar para ele, que me lembro de tudo isto, sem contar as outras cicatrizes que não me deixam esquecer do desenrolar dos fatos. A imagem do cachorro se divertindo não traz a tona o desespero do bichano; a menos que se olhe para ele.