terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dias que seguem.

Acordo pela manhã e o ponteiro dos segundos não para de trabalhar no seu percurso rotineiro. Chega a tarde; a noite logo vem e lá vou eu para mais um repouso. Novamente a manhã se aproxima e tudo novamente se repete.

Já faz muitos anos que deixei meu lar na condição de filho e nem por isso minhas lembranças ficaram por lá; estão vivas, pulsam, saltam dentro do meu peito em forma de memórias. Era bom chegar da escola e me encontrar com todos meus carrinhos de brinquedo e juntamente com meu irmão brincar de "vida real"... Trabalhar, juntar dinheiro para pagar o aluguel, fazer compras, comprar um carro de menor valor e futuramente trocá-lo por um melhor, buscar os filhos na escola e também "descer a ripa" neles quando faziam bagunças.

O tempo passou e deixamos de brincar de "vida real" com direito a dinheiro de papel e cheques. Não tem mais aquilo de "Cansei! Amanhã brincamos mais"... Tudo é real agora; o trabalho, a vida, a realidade...

Nem por ser verdade tudo isto, me sinto no direito de não lembrar mais dos tempos passados de criança. Futebol na rua de casa, quando o poste e a árvore eram traves do gol... Os colegas da rua... Tudo bem eu não era bom jogador mesmo, já assumi que era um verdadeiro "roceiro" quando chutava as bolas para cima dos telhados dos vizinhos...

Parece que foi ontem quando na ânsia de descobrir qual dia da semana seria uma data distante, eu folheava o calendário, numa possível pressa de querer que tudo passasse muito rápido... Passou... Está passando... Hoje me deparo com aquela folha que possui dias, semanas e meses... Realmente está passando.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Gastando moedas.

Os seres vivos nascem, crescem, reproduzem e morrem. É o ciclo natural da vida.  Aprendemos isto nas primeiras aulas de Ciências na escola. Da mesma maneira que se lê as quatro etapas desta "passagem", muito rápido isto se executa na vida do ser humano. O vapor que se vê e logo desaparece também simboliza a vida do homem. Sendo assim, diante da realidade que é a nossa vida nesta planeta, entendendo que não somos eternos neste chão em que pisamos e que existe uma boa ilustração sobre o nosso "nasce, cresce, reproduz e morre".

O filho recebe sua primeira mesada e logo é alertado pelo pai, para que gaste aquelas moedas com consciência, apesar de ser apenas uma criança. O pai não obrigou o filho a guardar ou gastar, tampouco escreveu uma lista de coisas que podem e não podem ser compradas com aquelas moedas, unicamente disse ao filho que gastasse com consciência.

O garoto foi à mercearia da esquina e comprou tudo de balas e chicletes; retornando para casa com um saco cheio delas. Alegremente foi mostrando ao pai o que havia adquirido com as moedas da mesada. O pai coçando a cabeça pergunta se aquilo foi feito com consciência, mas o filho com certa incerteza levanta os olhos para o pai sem o encarar e diz que sim.

No outro dia o menino voltando da escola diz ao pai que viu uma bola sendo vendida no bazar e que precisava muito dela para a aula de educação física. O pai diz que no mês seguinte dará a bola ao menino, logo é impedido de falar pelo garoto que abaixa a cabeça e tenta deixar a conversa. Mais uma vez o pai questiona o filho sobre a necessidade de se ter o tempo certo para adquirir as coisas, mas o garoto revela que já tem um mês que estava esperando ganhar a bola de presente. O pai com uma voz calma e firme relembra o filho sobre gastar com consciência e novamente o menino interrompe, alegando estar crendo que ganharia a bola assim mesmo, independente da mesada. Mesmo assim, sem voltar atrás o homem diz: "Meu filho, eu te dei a mesada do mês, você não precisava comprar de uma só vez aquele saco de guloseimas, o dinheiro estava com você, dava para comprar a sua bola e ainda algumas balas e chicletes..."
O garoto ouvindo as palavras do pai, segurando em sua mão disse: "Será que podemos pegar minhas moedas de volta?" O pai logo responde: "Não! Você já gastou, não terá mais aquelas moedas de volta".

O menino pensava na possibilidade de ter sua mesada de volta, devolvendo as balas e chicletes ao vendedor da mercearia, mas entristeceu quando soube pelo seu próprio pai que aquilo não poderia ser feito.

A nossa vida se transforma nestas moedas quando usamos da maneira que queremos, quando gastamos da forma como desejamos, impulsionados por momentos repentinos, passageiros, superficiais, inconscientes. A nossa vida passa a ser estas moedas que só podem ser gastas uma única vez, sem volta. E você, no que está gastando a sua vida? Nossa vida, são estas moedas que só podem ser gastas uma única vez e precisa ser feito com consciência!

Ao dialogar com um grande amigo, o mesmo me disse que participa de eventos e festas às custas de algumas pessoas como mulheres e colegas; e que do seu bolso praticamente não desembolsa nada para curtir a vida. Perguntei novamente se ele gasta alguma coisa com isso; ele inspirou profundamente e respirou de forma  extensa, logo me disse: "Cara; eu não gasto Um Real na noite!". Logo eu disse a ele: "Você está gastando algo mais valioso do que os Reais do seu bolso; está gastando sua vida, que está passando e você não está percebendo." Ele olhou para mim querendo dar outra justificativa, mas não encontrou.

Devemos repensar como estamos gastando as moedas, como estamos gastando a vida.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O dia do FIM.

Se eu conseguisse escrever naquele dia, em um diário, sentiria mais agradecido hoje, comigo mesmo. Estaria relendo meus "últimos momentos" antes de acontecer o fim do mundo.

Espere aí... Deixe eu explicar uma coisa antes que continue lendo, irá ajudar a entender do que se trata. Eu não estou ficando psicologicamente perturbado, mas é que se fala tanto do final do mundo em 2012 que não pude deixar esta oportunidade passar. No ano de 1995 começava a ser notícias em programas de entrevista sobre o fim do mundo que se daria na passagem do ano 1999 para o ano 2000. Eu tinha 12 anos de idade e meu irmão caçula 10 anos. Juntos no quintal de casa, depois de ouvirmos falar de um tal de Nostradamus, começamos a nos despedir antecipadamente do fim do mundo, exatamente quatro anos antes que tudo explodisse.

Criança é criança, e quando ela acredita em alguma coisa, é porque em seu coração está realmente convicta. Mas aí vem uma questão: "Mas com essa idade já dá pra entender a realidade!"; e  eu digo que "Criança é criança." Tem muita diferença de percepção das crianças de 10, 11, 12 anos de antes em relação as de agora. A informação em alta, faz com que fiquem mais perceptíveis à realidade em volta delas hoje. Por exemplo; quando eu tinha meus 10, 11, 12, 13,14 anos de idade; não tive acesso à meios de informação como internet; enquanto hoje; crianças de 04 anos de idade já sabem clicar no ícone e navegar sem saber aonde. Quanto mais as mesmas crianças de 10,11,12,13,14 anos... Já sabem o que querem ver, assistir e ouvir. Sendo assim, não me culpo por nada por acreditar que 2000 não chegaria, em pleno ano de 1995.

Domingo, 31 de Dezembro de 1995.

Querido Diário:
Depois de descobrir que daqui há quatro anos o mundo vai acabar, notei que o sentimento de saudade misturado com vontade de chorar está me sufocando e alguma coisa puxa o canto dos meus lábios para baixo... Não tinha ninguém para me ouvir e eu fiquei com vergonha de perguntar isso para outra pessoa. Questionando minha mãe, ela disse que era tudo mentira; mas mesmo assim eu fico pensando: E se for verdade? "Mil passarás; Dois mil não chegarás."
Estou sem saber o que fazer e precisei de alguém para me orientar. Conversei com o meu irmão caçula sobre isto e a única forma de me animar que ele encontrou, foi chorar. Eu não sei mais o que fazer, já guardei todos os meus carrinhos, caminhões e carretas de brinquedo e estou com dó de saber que tudo vais ser explodido pelo imensa explosão que consumirá todo ser vivente, animais e brinquedos da face da Terra.
Estou arrependido de ter jogado os pratos do vizinho do lado, na rua... De ter jogado areia na cara do cachorro do vizinho de frente e de ter esvaziado o pneu da bicicleta do meu irmão mais velho.
Estou com saudades do meu pai que está trabalhando... Até meu irmãozinho está chorando com a foto 3X4 do meu pai nas mãos. Choro também...
O mundo ainda não acabou, mas já estamos sofrendo antecipadamente; igual IPVA...
Até nunca mais, querido diário. Espero que suas folhas sejam eternizadas e que escapem da chama ardente e fumegante.
Adeus Planeta Terra que tem 77% de água em sua extensão superficial... Tenha uma boa ebulição.

Dias de hoje:
Passou o ano de 1995 para 1996... De 1996 para 1997... De 97 para 98... 98 para 99... 99 para 2000... 2001, 2002... 2011, 2012... E o mundo não acabou coisa nenhuma! Eu estou cansado de ouvir que isto ou aquilo vai acontecer; enquanto eu era criança o Nostradamus me enganou, mas agora não tem como ninguém me enganar... Agora; o que se ouve falar é que o mundo vai acabar em Dezembro de 2012... Ah! mais essa agora... Tinha que ser Dezembro? Não podia ser antes das férias da faculdade ou antes da semana de provas? Dezembro? Nas férias?!

Estão dizendo que 2012 é o ano do fim, do juízo final, do armagedom, do apocalipse.
Dizem que em Dezembro o sol vai se alinhar com a nossa galáxia e será um raro alinhamento cósmico que ocorre a cada 26.000 anos, e resultará no fim do mundo. Espera aí... Há 26.000 anos atrás quem constatou que isto aconteceu? Ele sobreviveu? Já sei, foi o MacGyver do Profissão Perigo...
Eu não tenho doze anos de idade para acreditar que o mundo acabará assim, e a única coisa que sei é que o futuro à Deus pertence.

Sei que quando for Janeiro de 2013 e o mundo estiver mais vivo que nós todos, alguém dirá:
2.012 passarás... 3.013 não verás!
Aí sim meu amigo, eu darei um aperto de mão em você, com todo respeito e confirmarei que não estarei aqui para ver tal explosão que matará todos e destruirá tudo de uma só vez como um clarão inflamável!
Não sei porque ficam tão preocupado em saber o dia do fim do mundo... Em vez disso porque não tentam saber para onde está indo o dinheiro dos impostos? 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sete dicas para comprar um Fusca.

"Falem mal, mas falem de mim."
(Fusquinha).

Essa seria a fala do eterno fusca, caso ele pudesse expressar seus sentimentos.
Tudo bem que, não cabe cinco pessoas em seu interior, mas e daí?
Que não cabe uma bagagem em seu porta malas; e daí?
Que quando chove forte o limpador não dá conta do recado; e daí?
Você vai a padaria e leva os pães embrulhados dentro do carro, chega com eles exalando gasolina; e daí?
Quando desapercebido passa sem reduzir em uma lombada, parece que está andando em um carrinho de madeira, mas e daí?

Já sendo ex-proprietário de um 1979 e de um 1969; resolvi escrever para quem deseja adquirir esses saudosos automóveis que a Volkswagen tirou de nós a partir do ano de 1986, e retornou de 1993 à 1996. Com o coração apertado de saudade me lembro deles... Tudo bem, o tempo passou e o fusquinha continua firme e forte com seus respectivos proprietários... Abaixo, deixo algumas dicas para comprar um fusca e não levar de brinde a necessidade de ingerir Metamizol ou Dipirona.

Depois de encontrar o fusca candidato à vaga da garagem da sua casa, observe os seguintes itens:
1º - A lataria deve estar em bom estado, afinal de contas um motor refeito fica como novo, diferente da lataria do carro que não pode ser refeita simplesmente, a não ser em caso de restauração.
2º - Fique atento aos detalhes da estrutura do fusca, examinando os pontos que possuem ferrugem como no assoalho, caixa de estepe, portas, cantos das janelas, pés de coluna (parte inferior das portas no canto da coluna), etc...
Pé de coluna.
Caixa de estepe.
canto das janelas.
2º - Procure por detalhes originais correspondentes para cada ano, como detalhes cromados, frisos de alumínio, vidros com a marca Volkswagen, e na caixa de estepe deve existir uma plaqueta de alumínio com a numeração da carroceria.
Plaqueta.
3º - Dentro do veículo, acione o sistema elétrico: Faróis, setas, luzes do painel. Verifique se o marcador de combustíveis e o limpador de para-brisa estão funcionando.

4º - Durante o funcionamento, observe se o motor queima óleo (muita fumaça); dê uma volta com o carro, não compre apenas pelo visual.

5º - Esteja atento quanto a documentação: IPVA, SEGURO DPVAT, MULTAS...

6º - Procure um bom profissional para assegurar a vida útil do motor, assim como também um bom profissional para lhe informar da real situação da estrutura do carro.

7º - Não tenha em mente que irá encontrar um Fusca Relíquia pelo preço de um "meia boca"... Entenda que mais vale pagar um pouco a mais em um carro em bom estado de conservação do que ficar com aquele mais baratinho, pensando que gastará menos... 

São dicas básicas, mas que podem ajudar em algo. Uma coisa volto a repetir: Fusca é estrutura! Se ele estiver bom de lataria, o resto é detalhe... E por fim, não pense que comprando um Fusquinha por R$3.000,00 e gastando nele mais uns R$3.000,00 valerá R$6.000,00.
O preço dele será R$3.200,00.
Dura esta realidade, não é mesmo?!
Fusca 1969