sábado, 26 de novembro de 2011

O desengatador de câmbios.

Nem aprendeu a ler direito e já estava com um livro que trazia por título: Manual do motorista. Aquele livro tratava de normas de trânsito e regras de circulação, mas bem no começo em singelas duas páginas, ensinava passo a passo como sair com o veículo corretamente. E eu pensava que estava apto para conduzir qualquer tipo de veículo automotor...

A primeira oportunidade que tive de adentrar um veículo sem ninguém por perto aconteceu provavelmente quando eu tinha meus oito anos de idade e contou com a participação do meu irmão mais velho (um ano e seis meses a mais). Estávamos na casa de um colega de nossos pais, enquanto eles conversavam dentro da casa, as crianças estavam no quintal, mais precisamente perto do carro do "Seu Milton".

O carro era uma DKW (conhecida como DKV), e estava quietinha estacionada em um enorme quintal que tinha bastante terra, plantas e um galinheiro. O irmão mais velho não imaginava que dentro de poucos segundos estariam metidos em uma grande encrenca.

Lá ia o Jefferson, acreditando que por ler o manual do motorista conseguiria funcionar aquele carro sem a chave estar no contato. Abriu a porta, sentou no banco do motorista, sentiu um leve cheiro de gasolina no ar e se posicionou como que fosse realmente dirigir a DKV.
Não sei o porquê, mas eu não conseguia ver o câmbio de um carro e ficar sem tocar nele. Era justamente a primeira coisa que eu fazia. Repentinamente o carro desceu de ré pelo quintal, passou pela entrada do quintal e foi parar no meio da rua. Ainda bem que não vinha nem pedestre, ciclista ou veículo naquela hora... Uma coisa ainda não consigo entender; quando o carro parou, lembro que meu irmão estava no teto do carro... Acho que ele começou ali acreditar que era o homem-aranha.

Pra não ter que apanhar tivemos que prometer nunca mais fazer bagunça na casa dos vizinhos, mas eu não fiz nenhuma promessa a respeito de adentrar veículos e desengatá-los para descer ladeira abaixo, tanto é que alguns anos depois, o carro que meu pai trabalhava estava estacionado na porta de casa e lá fui eu novamente pegar a chave...

O veículo desta feita era um Chevette, e enquanto meu pai tomava um banho para jantar e retornar ao trabalho eu consegui mais esta façanha: Desengatei o carro e andei uns dez metros em ponto morto na rua em que morava. Não sei como meu pai ficou sabendo em tempo real que o carro estava descendo a rua comigo, pois ele apareceu só de toalha na rua para me acudir.

O manual do motorista ensinava que era preciso colocar a alavanca do câmbio na posição "ponto morto" antes de dar a partida, e mais uma vez eu tentei fazer uma Kombi funcionar, desta vez na porta do bar aonde eu estava com meu pai. O dono da Perua estava deixando alguns pacotes de salgadinhos no bar para a revenda, e eu na minha agilidade de motorista aproveitei a porta aberta e sentei no banco do motorista realizando pela terceira vez na vida o procedimento do câmbio em ponto morto... Descendo de ré pela rua, somente parou porque bateu a lateral em outro carro que estava passando pela rua. Não sei o que aconteceu depois desta hora, mas pelo visto o dono da Kombi foi muito calmo na hora de resolver com o meu pai. Não sei porque em três tentativas nada deu certo, afinal de contas eu tinha o manual do motorista, sabia passo a passo como proceder e mesmo assim os carros só andavam na "banguela".



sábado, 19 de novembro de 2011

Dicas para comprar um Fiat 147 - Final.


O próximo passo que se dá no processo arriscado de possuir um Fiat 147 é conversar antecipadamente com um mecânico de sua confiança. Combine com ele para que o carro seja profundamente observado quanto ao funcionamento do motor e outras coisas mais.
Não é tão simples assim; dar uma partida, acelerar e diagnosticar se o motor está falhando, batendo, fumando, rajando, rezando...
O mecânico precisa verificar bem, afinal um serviço de motor completamente refeito não ficará por menos de R$2.000,00.

Se tudo estiver em ordem, aproveite para levar o carro em um bom funileiro, que conheça bem a estrutura deste carro, na maioria dos casos este veículo apresenta algum tipo de trinca no "chifrão"; e segundo todos os possuidores deste carro, se isto chegar a quebrar: Já era!
O funileiro precisa constatar bom estado de conservação na estrutura e na lataria em geral; sabemos que este veículo possui vários pontos suscetíveis a corrosão (podrões), porém existe casos em que um bom reparo resolve. Abaixo um exemplo de ótimo estado de conservação de um 147. Verifique exatamente nesta localização se algo está comprometido. Insista com o profissional e observe como está as condições.
Advirto mais uma vez: Se o problema for na estrutura, desista do carro!
Caso o carro seja aprovado pelo seu mecânico e um funileiro de confiança, resta apenas conferir a documentação. Caso deseje, pode ir direto a um despachante para que possa ser feito os procedimentos de transferência; lá você saberá se o veículo está com os impostos em dia e se não há multas.

Importante: Nunca adquira um veículo baseado unicamente na sua empolgação por se tratar de um carro que você sempre desejou há anos. Tenha calma na hora de negociar, mas não saia por aí tentando comprar carro a preço de banana só porque tem uns trocados no bolso. Negocie, avalie, verifique, teste, pense bem e depois é só desembolsar o valor e passear no tão sonhado carrinho.

Conheço dois proprietários que tem seus respectivos Fiat 147. São os únicos donos e não tem a mínima intenção de vendê-los. Já até tentei aos poucos entrar neste assunto com eles... A resposta sempre foi: NÃO!
É assim mesmo, paixão é paixão... No dia em que minha vontade de ter um 147 despertar do sono profundo;   irei diretamente em um desses dois proprietários, caso contrário será uma procura de agulha no palheiro.
Termino esta postagem de "Dicas para comprar um Fiat 147" com a exibição de uma página de uma revista que estava há algum tempo salvo no computador. Não me lembro bem da origem da imagem, porém agradeço a quem postou isto pela primeira vez. Boa sorte aos caçadores de sonhos! 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Kombi monstro.

Segundo relatos da minha própria mãe; eu chorava de medo de algo muito simples que vemos nas ruas...
O vendedor de frutas que usava um carro e um megafone, conseguia me assustar a ponto de eu virar um "farelo" para dentro de casa.

Toda criança tem seus medos. Existem alguns que nunca lembraremos deles porque com o passar do tempo acabamos por esquecer. Não me lembro que aquela voz: "Olha a laranja... Vamos chegar freguesa, vamos chegar freguesia..." me fazia espantar a ponto de arrancar lágrimas dos meus olhos verdes; mas se foi a minha própria mãe que disse então quer dizer que é verdade...

Bem, como não me bastasse as noites de pesadelos que davam continuidades noite após noite e meus gritos chamando minha mãe, eu tinha medo do escuro, de ficar sozinho, de ficar longe dos pais, medo de morcego, cachorro (urso), e barata... Eu também tinha medo do vendedor ambulante com sua voz "megafonada"...

Criança é assim, possui sonhos, imaginações, fantasias, medos e o mais interessante é que os sentimentos delas são sinceros... Deve ser por isso que dou tanta atenção à elas.
Quando uma criança demonstrar fraqueza ou sua bravura; ouça, entenda, compreenda e mostre a ela como são simples as coisas; afinal quem é o adulto hoje, que não foi criança no passado?

Agora posso contar que naquela fortaleza que eu me mostrava para os meus irmãos; na realidade eu era um grande ator e que sentia até calafrio nas vértebras... Fui criança em todos os sentidos... Apenas meus sonhos permanecem...