quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Jefferson em sua primeira festa junina.


Uma das coisas bem engraçada que marcou minha vida durante minha infância foi este acontecimento... O tempo passou e não esqueci  esse ocorrido, quando  ainda tinha meus 6 anos de idade...

Em 1989, eu estava matriculado em uma escola e cursava o pré. Foi praticamente o primeiro ano que eu adentrava uma escola como aluno e lá mesmo eu fui alfabetizado. Era uma ótima escola como muitas outras escolas estaduais que conhecemos durante a vida.
O ano corria a passos largos. Era de costume ouvir: “Nossa, o tempo está voando” ou “Credo, já estamos no meio do ano” e também “Nem vi o tempo passar”...
Mas para mim, um garoto que ia completar 6 anos de idade, não notei nada passando tão rápido assim... A única coisa que foi rapidíssimo de verdade, foi meu casamento, cuja cerimônia foi realizada naquela saudosa escola.

(Espere um pouco... O garotinho da estória iria completar seis anos de idade e havia se casado? E seu casamento durou pouco tempo?).
Exatamente... Vou explicar melhor...

Quando o mês de Junho foi chegando, a escola inteira se preparava para as festas juninas, e como toda criança que gosta de interagir com as outras, eu adorava estar no meio da galerinha. Minha mãe havia autorizado minha participação neste evento e a cada dia, nós da escola ensaiávamos os passos da dança para apresentar no dia marcado.

Eu era uma criança que observava muito o jeito do meu pai, sua postura em relação às mulheres, em relação aos colegas e a forma de agir em casa. Ele sempre foi muito amoroso conosco, porém muito sério na forma de educar os filhos. Minha mãe, sempre ao nosso lado, cuidava para que tivéssemos uma boa instrução no decorrer de nossas vidas.
E de certa forma, eu procurava ser igual meu pai, na seriedade e também no temperamento.

Meu pai sempre foi muito ciumento, em relação a nós, seus filhos, e à sua esposa.
Eu crescia acreditando que aquela forma de ele  ser com minha mãe, era a maneira mais correta de ser com uma mulher. Mesmo sendo uma criança que não possuía sentimentos parecidos, eu encenava certos instantes, apenas para ser igual.

Pela primeira vez, depois de muitos ensaios, chegou o dia em que eu iria “dançar quadrilha”, era assim que falávamos uns com os outros. Era final de tarde de uma sexta-feira  que não teve aula, todos chegaram trajando vestes de caipiras, pinturas nos rostos simulando barba e bigode, remendo nas roupas e chapéu de palha. As meninas usavam vestidos rodados, chapéus e tranças, todos em um estilo “roceiros”.
Lembro-me como se fosse hoje, da menina que foi minha parceira... Vanessa era seu nome.

A dança começou, foi tudo muito divertido, fizemos tudo conforme o ensaio, e no final fomos elogiados pelo desempenho. A festa terminou e após as despedidas, cada um foi para sua casa.
Na segunda-feira retornamos às aulas normalmente, e quando cheguei à sala de aula, encontrei Vanessa conversando com um garoto de nossa classe...
Imediatamente, senti uma sensação de perda, algo muito estranho para uma criança que iria completar seis anos dentro de dois meses ainda.
Pela primeira vez, senti ciúmes... Andei bem rápido em direção a ela enquanto o garoto ficava olhando minha aproximação... Cheguei o mais perto de Vanessa e  comecei a brigar com ela... Logo ela se livrou e saiu de perto de mim correndo.

Não me lembro da sequência dos fatos após este ocorrido. A única coisa que lembro  é que nosso casamento acabou ali, durou apenas um fim de semana...
(Como assim? Que casamento?)
Acontece que eu, em minha inocência, gostava de Vanessa, e acreditei cegamente que havíamos nos casado durante aquela dança na festa junina...

Hoje me lembro disso e começo a rir... Só me resta rir..

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Fome.

Por esses dias, recebi um e-mail sobre a fome no mundo. O assunto principal dizia que, todo dinheiro investido em armamentos, serviriam para acabar com a fome no planeta Terra. Fiquei pensando, para quê se tem armas? Armas são feitas exclusivamente para matar, ou tem alguma finalidade a mais? Nisto, pensando sobre a fome, resolvi escrever...



Fome... Tão pequena palavra
Tão forte seu efeito
Já não se dá  mais nenhum jeito
Para quem não tem o que comer
O vazio que se expande
A dor que inicia
Por não ter o que morder
Muito menos o que sentir

O paladar já não trabalha
Ser trêmulo já não é uma questão
Passar dias só sonhando
Com um pedaço de pão
Um alimento tão barato
E que todos bem precisam
O antigo pão de sal
E muitos não valorizam

Vai o dia, a noite vem,
O tempo todo se consome
Os que comem nem percebem
Tem alguém que sente fome
Eu queria ter poder
Pra saciar essa escassez
Exterminar essa tristeza
De toda terra de uma vez

Quando você se alimenta
Está nutrindo o seu corpo
Mas com certeza nem se lembra
Que na falta, alguém é morto.
Não desperdice o alimento
Não negue comida de ninguém
O que você desperdiça no lixo
Mata a fome de alguém

Quando for alimentar-se
Agradeça a Deus também
Por ter o que comer
Enquanto muitos não a têm
Mas não fique só parado
Satisfazendo-se com o que come
Lembre que teu irmão está na rua
Igual você, ele também sente fome.


De que adianta, falar, conscientizar, pensar, comover... E ficarmos parados esperando que alguém faça alguma coisa por eles? Comecemos hoje a fazer algo por aquele que não possui condições de fazer. Se tiver oportunidade, alimente, vista, converse e entenda que todos nós somos seres humanos e merecemos viver.

domingo, 21 de agosto de 2011

Meu primeiro Fusca 1979.

Foto real do meu Fusca 1979. "Rumadim né"?!
Trabalhar a noite, e ter ainda que enfrentar a chuva ou o frio no trajeto do labor; ninguém merece...
O que eu precisava era mesmo de um carro neste atual emprego, afinal de contas, esperar o transporte que a empresa nos oferecia, simplesmente fazia com que ficássemos uma hora antes e uma hora depois longe do descanso em casa.
Para quem havia desperdiçado boa parte do seu dinheiro em consertos intermináveis num 147 (dá até arrepio esses números) agora estava andando de fusquinha... Pelo menos com ele, ninguém fica na mão... Basta um alicate e um rolinho de arame e você faz uma revisão no Fusca.
Era este meu carro, e agora tudo corria muito bem. Minhas andanças tinham origem e destino tudo dentro dos conformes, sendo que é o carro mais popular de todos os tempos.

Não importa se é antigo ou se é o modelo “Itamar”, o que importa é que Fusca é Fusca, quase não desvaloriza na venda, quase não funde se não deixar faltar óleo no motor, quase cabe em qualquer estacionamento, basta ter força nos braços para girar seu volantinho, e quase não cabem compras do supermercado dentro do porta-malas... Mas é isso aí... Fusca é Fusca e não tem jeito!

Nunca me deixou na mão, exceto as vezes em que eu acreditava em sua fantástica economia de 8 km por litro de gasolina. Nessas horas, sem nada no tanque, eu nunca consegui fazer ele me levar em lugar algum.
O Fusca para mim será o carro do brasileiro. Quem é que nunca possuiu um Fusca? Então você não é brasileiro... Todo mundo aqui, já teve vontade de ter aquela “baratinha” na garagem, ainda mais quando era comum assistir nas tardes de domingo, filmes do Herbie, um fusca 68 que praticamente era vivo.

Bom, eu com meu “Herbie genérico”, trafegávamos perfeitamente, e no período de seis meses, nem o pneu furou, nunca usei o estepe. Fiz apenas uma troca de óleo e muitas lavadas e enceradas para deixar o 1979 do jeito que eu gostava.
A única coisa que nunca consegui e me sinto frustrado por isso, foi conseguir deixar em seu interior a essência de lavanda que muito gostei em meus carros. Por mais que eu comprasse um refil após o outro, nada vencia aquele cheirinho leve de gasolina por dentro. Foi a primeira vez que entendi que o Fusca tinha suas particularidades.

Levar alguém na rodoviária... Só se for uma pessoa apenas e com uma quantidade de malas suficiente para ocupar o pequeno espaço do banco traseiro. Nunca em minha vida consegui colocar uma mala sequer em seu destino correto, o porta-malas.
Bateria... Eu não sei o que aquele danado faz com tanta energia a noite. Basta deixar alguns dias parado que  não pega na chave depois. Se esse camarada veio com o sistema de gerador de energia, deveria ser sustentado pelo sistema... Aconselharam-me a instalar um alternador no lugar do gerador, um sistema mais útil que realmente recarrega a bateria quando o carro está em funcionamento.

Se o Fusca nasceu com esse tal de dínamo (gerador), terá que sobreviver com isso! E nunca gastei dinheiro trocando nada nele. Eu era realmente satisfeito com meu “Herbie” 79.
Mas nem tudo na vida são flores... Com o passar dos meses, ao levar o carro para o alinhamento, foi informado da seguinte situação, a seguir, as palavras do profissional:
“Seu carro está quebrando bem no chapéu de napoleão...”
Não acredito! Onde? Cadê o chápeu? Cadê o quebrado? Não é possível...
Traumatizado com o “quatorze ponto sete”, me informei melhor daquele diagnóstico terrível sobre o meu fusquinha, e nem quis fazer esforços para ajuda-lo a vencer mais um ano de sua vida. Fiz o que pude, não estava disposto a gastar mais dinheiro com carro usado, e nas primeiras vezes que tentei vende-lo, achei um comprador...
Aliás, um trocador... Para mim, estava tudo muito bem, para quem teve um fiat 147 com o chifrão trincado, agora tinha um fusca com o chápeu de napoleão quebrado, e ainda conseguia passar os carros para outros interessados, melhor do que sofrer com eles.

Naquele domingo, numa feira de carros usados, eu estava entregando meu “Herbie” para um pedreiro e me apaixonei por um Corcel 1, branco, de 1976...
Como dizem no meio dos “catireiros”, eu dei umas “quirelas” de volta no negócio e fui embora para casa, acreditando estar com um carro maior e que tinha boa aceitação no ramo de usados. Em poucos dias, nem me lembrava mais do Fusca.
No trajeto casa-trabalho, meu “corcelzin” andava comigo de mãos dadas...
Aquele foi meu primeiro Fusca e este era meu primeiro Corcel...

Continuação da história do Corcel 1 emMeu primeiro Corcel

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Era uma vez...


Era uma vez um vendedor de verduras que caminhava todos os dias por um bairro inteiro oferecendo alfaces, tomates, maçãs e laranjas. Ele não se cansava daquela rotina de bater de porta em porta a procura de compradores. Tinha dia que não vendia quase nada e tinha dia que logo no final da manhã tudo estava entregue e seu carrinho voltava leve. Esse era o melhor dia de sua vida, quando conseguia vender todas suas verduras e frutas.

Sempre passava por uma casa no final da avenida quando ia embora para seu lar, e notava que naquele lugar morava apenas uma senhora já de idade bem avançada, com um garotinho, o que provavelmente seria seu neto ou filho de adoção. Aquele homem nunca viu mais do que os dois naquela casa simples e escura, era normal aquela situação já que se tratava de um bairro antigo e seus moradores quase sempre foram os mesmos.

Certo dia saiu a vender, empurrando seu carrinho e anunciando com voz forte em ritmo de música seus produtos, passou em frente a casa e escutou alguém o imitando. Bem, era normal que uma criança tentasse até zombar do seu jeito de anunciar as verduras, mas ele não se chateava e continuava a anunciar bem mais alto. E assim, o garotinho que já o conhecia de longe pela voz rouca e firme, ficava imitando o vendedor em suas brincadeiras. Sua avó, dizia que era errado criticar os outros. O garotinho se explicava dizendo que queria ser um vendedor de verduras quando crescer. Apesar da vida miserável, a  avó ignorava e dizia que ele teria que ser um médico, um advogado, um executivo, mas nunca um vendedor de verduras.

Aquele homem passava na ida e na volta diante da casa, mas teve um dia que o garotinho sorriu para ele e correu em sua direção. O homem parou, acreditando que faria sua primeira venda naquele dia tão difícil. Era final de tarde e o carrinho estava repleto de folhas, umas mais murchas que as outras e o homem pulverizava água sobre elas para retardar o efeito. O garotinho sorriu e disse ao vendedor: “Eu acho muito bonito o seu trabalho, eu quero ser igual ao senhor quando estiver grande”!
O homem sorriu e começou a chorar disfarçadamente para que o menino não percebesse as lágrimas, e como uma forma de retribuição por aquelas palavras sincera, ofereceu algumas laranjas e maçãs ao menino. Deu a ele também alface e couve. Logo saiu pelo caminho, emocionado por encontrar palavras agradáveis naquele dia.

A avó do garoto questionou ao menino a procedência daquelas coisas e o garoto contou o que tinha ocorrido. Era justamente o que faltava naquela casa, estava pronto somente o arroz e nada mais, e a senhora abraçou o menino e disse que faria uma boa salada para comerem com o arroz e que a sobremesa seria as frutas. O garoto ficou muito feliz, e a senhora bastante alegre por ser presenteada no momento em que restava apenas um pouco de arroz para comer.

O vendedor chegou em sua casa e relatou à esposa o ocorrido, e disse: “Eu estava tão desanimado de sair amanhã para vender, mas encontrei um garotinho, ele me disse que me admira e quer ser como eu.”  Daquela simples frase, o vendedor encontrou forças para trabalhar por mais vinte anos naquele ritmo de vida, criou filhos e vivia uma velhice simples, mas honrada. E por mais de 10 anos, sempre ofertava aquela família pobre, parte do que não vendia. E quando vendia tudo, dava parte de suas vendas aquela família humilde.

O garoto cresceu, estudou e quando jovem, tomou posse de uma herança que lhe estava reservada, para quando atingisse a maior idade. Era uma fazenda que seus pais biológicos haviam deixado para ele. Sua avó, de criação;  bem mais velha que antes, conseguia arcar com as mínimas despesas da casa através de tapetes que fazia e quadros que pintava. O menino que sempre estudou em escola pública, agora estaria prestes a se formar em direito. Quando soube da notícia da herança, foi orientado e aconselhado por muitos a não envolver com fazendas, disseram a ele que seria melhor se vendesse e aplicasse o dinheiro em outras coisas.

O jovem não pensou duas vezes. Foi até a casa daquele antigo vendedor de verduras e o convidou para ser o gerente da grande fazenda, ali o homem poderia plantar e colher o que quisesse e a cada mês, daria uma cabeça de gado como salário. Levou-o até a sede da fazenda e perceberam quão aconchegante era aquele lugar. O homem ficou espantado e muito feliz, nem acreditava no que estava acontecendo. Sua esposa aceitou a proposta e logo todos se mudaram para aquele imenso lugar verde. A avó do garoto não quis deixar a antiga casa que sempre moravam, e o jovem realizou uma grande reforma naquele lugar.

O rapaz crescia e entendia que indiretamente foi sustentado pelo vendedor de verduras, que nunca exigiu nada em troca. E até o dia de hoje, nos finais de semana, o garoto sai com o mesmo carrinho de verduras, não para vender, mas para alimentar as famílias mais pobres daquele bairro. E durante a semana, o antigo vendedor de verduras, distribui alimentos ajudando os que sentem fome e que moram nas ruas.

Em uma casa distante, várias pessoas  esperam a visita deles, na esperança de receber alimento para os seus corpos e carinho para seus corações. Com o passar do tempo eles aprenderam também que, aquele que tem, deve contribuir com os que não têm. E agindo assim, quase não haverá o necessitado sobre a terra.

domingo, 14 de agosto de 2011

Na linguagem dos matutos: "Você foi meu professor..."


Hoje não lhe entreguei nenhum presente
Bem que poderia ter lhe dado uma lembrancinha
Hoje não lhe disse tudo que realmente queria
Bem que poderia ter lembrado nosso passado feliz
Hoje não declarei minha admiração
Bem que poderia ter puxado algum assunto
Hoje não olhei fixamente em seus olhos
Bem que poderia ter percebido o brilho deles
Hoje não permaneci segurando em suas mãos
Bem que deveria ter durado mais aquela saudação
Hoje não senti aquele abraço forte e duradouro
Bem que poderia ter insistido nesse afeto
Hoje não passei a mão em seus cabelos
Bem que poderia correr a mão sobre eles
Hoje não declarei todo meu amor
Bem que poderia ter falado tudo que sentia
Hoje não estivemos tão presentes
Bem que queria abraçar e sentir teu calor
Hoje não senti o seu perfume
Bem que poderia ter insistido em sentir teu cheiro
Hoje te vejo como forte depois de tudo que passou
Bem que o senhor poderia notar minha fraqueza
Hoje vejo o tempo passar
Bem que poderíamos vivenciar cada segundo
Hoje se comemora o seu dia
Bem que poderia ser reconhecido todo o ano
Hoje o senhor me olha um pouco distante
Bem que poderia perceber, que
Hoje, teu filho simplesmente te admira
E sempre deseja o teu bem
Na minha mente esta gravada
Seu cuidado de pai, por ter lutado, sustentado
E ensinado, o caminho que eu deveria seguir
Hoje eu sei
Bem que poderia
Estar mais perto de você
Saiba então, que se aqui cheguei
É porque você me alimentou, cuidou, suou...
Em suas qualidades posso te dizer:
Meu pai, meu espelho.
Feliz dia dos pais!
(Jefferson Nunes)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O dia da vacinação animal...


Na época de vacinação animal em 1999, fui intimado e incumbido  pela minha mãe, de levar  os três  gatos que tínhamos para receber a vacina. Os agentes que aplicavam tal dose, estavam há apenas três quarteirões de nossa casa e mesmo assim eu precisava bolar um plano para levar os bichanos em apenas uma viagem.
Meu irmão mais velho não estava em casa no momento, então olhei bem para o caçula e logo o convoquei para a árdua missão: Vacinar o trio.

Dois gatos estavam em casa, pra variar, dormindo. Isso eram nove horas da manhã. Por volta de dez  horas, chegou o terceiro gato, ele estava em uma de suas caminhadas pelos telhados vizinhos, mal sabia ele que eu estava aguardando sua presença para logo mais cooperar na agulhada em seu lombo. Procurei uma caixa maior para leva-los e nada encontrei. Minha mãe veio com uma sugestão de colocar os gatos em um saco, mas tive pena dos felinos e decidi inventar um meio mais amoroso a favor deles.

Meu irmão caçula sugeriu leva-los  nos braços, mas e se eles se assustassem com os veículos na rua? Ou com as pessoas? Correríamos o risco de o gato escapar, atravessar a rua em seu estado desesperador e ser atropelado por algum carro. Já pensando nas futuras consequências, optamos por levar o gato debaixo da camisa, assim eles estariam em contato conosco e se sentiriam seguros, mesmo ouvindo o som do trânsito.

Mas teríamos que ir uma vez com os dois e logo retornar para vacinar mais um... Nisso eu tive uma ideia: O caçula levaria o gato maior e eu sendo o mais velho naquele instante, levaria os outros dois gatos. Certo! Colocamos aqueles gatos por baixo da camisa e caminhamos tranquilamente pela rua.

Eles eram muito mansos, podiam ouvir o barulho de motos, carros, pessoas e ficavam tranquilos, como que estivessem preparando para dormir. Ali debaixo da blusa, se sentiram confortáveis e isentos de qualquer risco. Nem imaginavam  que caminhavam para a beliscada da seringa.

Chegando ao lugar, informei ao agente que faria a aplicação, que eu portava dois gatos comigo e meu irmão, o terceiro gato. Ele anotou uns dados em umas folhas, entregou a nós e pediu para que segurássemos os animais para a aplicação. Meu irmão posicionou o gato de forma segura e o agente segurava o animal e aplicava a vacina com segurança.

Chegou a minha vez, ou melhor, a vez dos gatinhos de receberem a dose que os protegeriam da tão falada doença contagiosa entre eles: A raiva.

Tinham mais pessoas para vacinar seus cães e gatos e parecia que os gatos sentiam a presença dos seus inimigos mortais, optei então por permanecer com os gatos embaixo da blusa. O agente perguntou se eu tinha certeza daquilo e eu afirmei com toda certeza que se podia haver naquele instante. Afinal, se os gatos vissem os cachorros, talvez fugissem de medo e se perderiam naquele lugar.

O agente levantou parte da minha camisa enquanto eu segurava os gatos com os dois braços, assim que ele avistou o lombo do primeiro bichano, introduziu a agulha em sua pele... Foi aí nessa hora que eu queria ter conhecido o Doutor do filme “De volta para o futuro” de verdade... Se eu pudesse voltar no tempo, estaria na minha casa, assistindo desenho animado no sofá, sentindo o cheiro do preparo do almoço que minha mãe estaria fazendo e aguardando a hora de comer em paz... Se eu pudesse voltar no tempo, levaria os gatos em um saco bem grande e reforçado para deixar eles se sacudirem, pularem, unharem um ao outro a vontade... Tudo isso para essa reação não acontecer em cima do meu peito e colado na minha barriga.

O que recebeu a primeira dose começou a patinar em minha pele, cravando suas unhas nas proximidades do meu umbigo, e a única coisa que notei, foi que o outro assustado fazia um barulho parecido com: Ftssss ftsssss!!!
E logo saiu desesperado quase que pela manga da camisa.

Correndo desesperado, se livrando dos cachorros na fila, sumiu! Nem recebeu sua dose contra a raiva. O vacinado foi praticamente expulso de debaixo da minha camisa por mim, enquanto eu tentava entender o que estava acontecendo; parecia que eu tinha recebido no peito, vários litros de água gelada na época do mais severo inverno.

Fomos embora com apenas um gato para casa, contamos para minha mãe o ocorrido e recebi ainda uma bronca de gorjeta. Como não sabia qual dos dois recebeu a vacina, desisti de leva-los novamente, mesmo assim, eles só apareceram no final da tarde. A vacina provocou efeito colateral nos felinos, o que era para ser contra, virou pró. Era para impedir a doença “raiva” e acabou incentivando a “ira” deles. Eu que levei a pior... Ah se eu pudesse voltar no tempo...

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

No tempo oportuno.


Estava em minha casa, pintando os muros e fazendo alguns acabamentos para enfeitar as janelas. Comecei a mexer com isso por volta de oito horas da  manhã. Logo chegou a tarde, almocei e logo retornei ao serviço, queria concluir a pintura logo. O tempo passou e logo o relógio marcava dezoito horas. Por estar ainda claro, comecei a fazer outras tarefas que seriam do próximo dia e quando menos esperei, não estava enxergando bem. Ficou escuro repentinamente e eu não tinha mais como trabalhar em cima de detalhes do acabamento. Era noite, quase dezenove horas... Entendi que não dava mais para continuar, mas eu queria muito terminar aquela tarefa, queria mesmo, e mesmo que eu me esforçasse, não dava mais.

Conclui que eu deveria ter feito mais cedo, ao invés de começar às oito horas da manhã, se eu tivesse iniciado às sete horas, teria concluído sim, com certeza... Mas o tempo passou e eu não pude concluir neste dia a etapa da pintura.

Entendi que na vida da gente tudo é assim, temos todo o tempo possível para realizar o que  pretendemos. Mas quem está disposto a levantar uma hora mais cedo? Quem está disposto a trabalhar uma hora a mais? Quem está disposto a dedicar-se mais pelo mesmo salário da tarefa de uma hora a menos? Quem se dispõe? Quase ninguém...

Se pra tudo nessa jornada da vida, houver dedicação, empenho, força de vontade e entrega total, fica mais fácil de concluir. Se nesta lida em que vivemos, houver comprometimento com o resultado, seja ele qual for; certamente ele surgirá. Não adianta esperar pelo colega que indica o emprego, não adianta confiar na empresa que precisa de funcionários semanalmente, não adianta conhecer o pisicólogo que contrata naquela área, não adianta ser conhecido do dono... Não adianta nada!

O que funciona, é levantarmos cedo e olharmos para o dia e acreditarmos que é lutando que se vence, é indo atrás, é batendo na porta, é buscando que se consegue atingir o inatingível.
Faça diferente, não espere anoitecer para ficar quebrando a cara no escuro. Ande, corra, acelere enquanto é dia e você enxerga com facilidade todos os obstáculos.

Vem aí a noite, quando não se pode fazer mais nada... E daí o tempo que tem para repousar, será usado em pensamentos e lembranças de frustração. Fica a dica: Trabalhe enquanto é dia, porque a noite certamente virá, e independente de você estar pronto ou não, ela virá.
Pintemos a nossa casa durante o dia... É muito mais fácil.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Meu primeiro Fiat 147 (Final).


Diante de tantas vezes que esse carrinho me deixou na mão, eu simplesmente me recusava a vendê-lo. Não valia tanto dinheiro assim, mas a razão por eu sofrer aquilo tudo era baseada na realização de ter aquele veículo. Espaço não tinha, mas era somente eu que precisava andar nele, então estava tendo espaço até demais.

O tempo passou e notei que boa parte do meu suado dinheirinho estava sendo injetado nele assim como se injeta medicamentos em quem precisa sobreviver, para que aquele 147 continuasse a existir comigo, ele praticamente me sugava de todos os lados. Perdi a conta de quantas vezes empurrei ladeira acima, perdi a conta de quantas vezes ele faltou freio ladeira abaixo, nem me lembro mais de quantas vezes “saiu do ponto” e não quis mais funcionar... É carrinho, na retrospectiva você deixou muitíssimo a desejar. E mesmo assim eu insistia nesse nosso relacionamento.

A gota d’água limite chegou quando diante de uma fila de carros no semáforo do centro da cidade, ele resolveu simplesmente “morrer”.
“Agora você apelou”! Na hora do rush, ele decide dormir. “Foi o ponto final na nossa relação”! Mas o tempo passou e eu investi o que podia para que ele voltasse a andar comigo, me levando nos lugares em que eu queria.

Parado um dia na porta de casa, com suas rodas laterais em cima do passeio, eu me preparava para sair com ele, quando fui abordado por uma pessoa na rua. Nossa conversa foi bem curta e direta quando fiquei sabendo do interesse desta pessoa... Comprar meu fiat 147. “Tudo bem”! Negociando, relatei o valor que o carro já estava para mim e fui surpreendido com uma grande realidade no mundo dos carros usados: Não importa o que você gaste nele, ele sempre terá o mesmo valor, pode até melhorar um pouquinho o preço, mas muito se perde...

O pretendente possuidor do 147 pediu para que eu funcionasse o motor e disse que nem precisaria andar no carro, bastaria a ele ouvir o barulho do bichinho... E depois de ouvir o barulho, o provável comprador me disse: Rajando!
Perguntei a ele o que seria isso, ele então me disse que o motor estava começando a ter folgas na parte de baixo, como virabrequim, bronzinas e bielas. Logo me disse uma notícia: “Eu até compraria seu carro, mesmo estando rajando, mas acontece que ele está com uma pequena trinca no chifrão.”.
Pronto! Acabei de saber que meu 147 sofreu infidelidade conjugal...
“Chifrão? Onde fica isso?”
Ele me mostrou apontando com o dedo sobre o tal detalhe que se encontrava comprometido no carro. Disse-me que com o passar do tempo o carro chega a quebrar entre a parte que vai o motor e a carroceria e  depois que isso acontecer, resta para ele o ferro velho, pois será difícil um bom funileiro remendar o carro,  depois disto, nunca mais dará alinhamento. Fiquei pasmado e ele foi embora agradecendo por verificar o carro.

E agora, eu estava com o meu 147 rajando e com o chifre quebrado... Digo; chifrão trincado.
Confesso que desanimei; o carro aparente bonito e que me largava a pé frequentemente, acabava de me incentivar a dispor dele. E assim, eu tentei, tentei, tentei e ninguém queria comprar um fiat 147. Anunciei no jornal, fui num encontro de final de semana de carros usados e nada! Passando em frente à uma revenda de carros, olhei e vi um colega. Estacionei meu carro e caminhei em sua direção, quem sabe ele compraria meu carro. Durante nossa conversa, fui notificado que ele apenas aceitaria uma troca e me disse que sua esposa adora o fiat 147. Se desse certo ela ficaria com o carro. Pronto! Pensei: “Rachei o tatu pelas costas”!
Aguardei alguns minutos e lá chega um fusca 79, caramelo. Desce do carro a esposa do meu colega e depois de alguns minutos conversando ela sai no carro para testar. Olhei o fusca dela e pensei: “Vou ficar com esse fusquinha”.

O danado do 147 fez tudo conforme manda o figurino e não me desapontou. Estranhei... Pensei que ele iria começar a falhar, apagar, desmaiar, morrer... Tudo que ele já fez comigo, mas não... Acho que ele percebeu que me deixou desapontado neste dia e fez boa atuação para sua nova dona.

Tudo resolvido, negociamos ali mesmo. Meu colega, um profissional de revenda de carros usados, havia aprovado o carro para sua esposa e me disse sobre o fusca, nota 10.
Fiquei satisfeito pelo negócio e parecia que eu tinha saciado a minha vontade de ter meu primeiro fiat 147, e ali mesmo despedi dele, entrei no fusca e fui embora para casa, já pensando em lavar e encerar o meu primeiro fusca.
Quando meus colegas souberam que eu desfiz do 147, me deram os parabéns dizendo:
“Você deve ter pedido um comprador na Porta da Esperança.” Outros falaram: “A Kibom comprou todos os 147 da cidade... Para fazer Kimerda.” E alguns: “O fiat 147 é pior do que doença contagiosa... A doença, ainda você passa pra frente.”
Pôxa vida! Será que só eu nesse mundo gosto do 147.
Bem, acho um carro bonito, compacto, mas teria que ser para a época. Eu posso falar desse carro, já tive um... No mais, só nas fotografias e nas lembranças... Outro? Nem pensar! Ou melhor, nem no sonho... Teve uma noite em que sonhei com um... Acordei no meio da noite... Ele me deixou na mão às 02:35 hs da madrugada.
Nem em sonho agora!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um dia lá no banco...

Encontrei por acaso com uma amiga no centro da cidade, eram quase 15:00 hs, eu estava correndo em direção a agência bancária para resolver alguns assuntos. Nisto nem tivemos tempo para conversarmos, mas logo depois de alguns dias recebi um e-mail dela relatando um acontecimento em relação à este mesmo dia, que por sinal bastante engraçado, e não teve tempo de ser comentado. Segue o acontecimento na “versão brasileira Jefferson Nunes”.

A cliente do banco está a caminho da porta giratória com detector de metais, espera um passar, mais outro e lá vai ela, acreditando que entrará com toda a facilidade dentro da agência. Repentinamente aquela famosa travada e todo mundo que está embalado para seguir após ela, param... O vigilante apoia a mão no cabo de sua arma e num gesto autoritário pede que retorne e confira se existe algum objeto  de metal em sua bolsa.

Enfim, tira uma chave, o celular, um prendedor de cabelo e tudo bem, mais uma vez entra confiante na porta giratória. Alguns passos mais e... Travou de novo! Alguns clientes ficam olhando por curiosidade apenas, outros com aquela pressa medonha tentando passar no pequeno espaço enquanto ela retorna para verificar a bolsa. Uma boa verificada e agora sim...

Outra travada... Mas o que será isso? Será o “Benedito”?
O vigilante auxiliando a moça, e da mesma forma tranquilizando os demais que tinham intenção de adentrar a tão sonhada sala da agência bancária, pergunta insistentemente se não há ainda em algum bolso: chave, canetas, moedas ou algum objeto metálico.
Decididamente ela sabe que não possui tantos artefatos metalinos e afirma a situação.
De repente uma busca minuciosa traz à tona a causa de todo aquele episódio. São encontrados em sua bolsa feminina, um  alicate  e vários pregos.

Ela então revela que seu plano era adentrar com aquele armamento e em seguida render o vigilante e leva-lo ao subsolo para se apoderar de sua farda, facilitando sua ação. Deixá-lo-ia pregado na parede com pregos através de seu samba canção, e retornaria à agência trajando o disfarce de guardinha. Em seguida, iria em direção ao gerente de sua conta salário e pediria para liberar um valor maior no limite de seu cartão de crédito conveniado. Com isso, poderia comprar todos os apetrechos que precisasse para  seu novo emprego. Sendo uma estudante de engenharia elétrica e atuando como eletricista, precisava de mais ferramentas para sua rotina em instalações elétricas.

Mesmo confessando o  plano,  só não foi presa em flagrante porque não portava fita isolante e chave de teste. Caso contrário, sua pena poderia chegar aos 35 anos de reclusão.
Ouvida e liberada em seguida, a estudante prometeu retornar a agência outra vez, mas garantiu que será mais discreta possível e que ninguém irá notar quando ela entrar disfarçada de rolo de fio desencapado.

Amigo leitor; sei que parte desta narrativa saiu da mente do “Fantástico mundo de Bob”, mas compreenda que a história é verídica até o momento em que se encontram alicates e pregos na bolsa da jovem. O desenrolar adiante vem por conta própria.
A reação verdadeira dos envolvidos resultou apenas em risos, quando na verdade, era uma eletricista que havia deixado em sua bolsa, parte de seus instrumentos de trabalho.

Uma coisa sei; se estivesse lá, teria caído na risada e satirizado minha amiga por um bom tempo!
Nota: O vigilante percebeu sua intenção e permitiu que a mesma tivesse acesso a agência, mas marcaram bem a fisionomia dela... Vai saber...