quarta-feira, 27 de julho de 2011

Será que a inveja existe mesmo? Em quem confiar?

Vários livros e filmes retratam histórias de pessoas que possuem o sentimento da inveja.
Não é de se espantar que existam pessoas no nosso convívio que alimentam  tal lástima perversa dentro de si. Mas o que realmente significa ser invejoso ou ter inveja?
A resposta é muito simples e clara. Todas as vezes que alguém se sentir mal com a felicidade ou sucesso do próximo,  estará exercendo a inveja.

Ela existe e faz mal. Um mal muito maior para quem o pratica com ou sem intenção. O invejoso não se dispõe para ser assim, ele simplesmente cresce e conforme vai vivenciando situações que despertam tal sentimento cria-se um monstro dentro de si mesmo. Ninguém consegue se livrar desse monstro com suas próprias forças de vontade, é preciso algo muito maior para que ocorra a libertação deste triste e horrível sentimento de invídia.

Ainda faz pouco tempo que encontrei um colega de trabalho e quando o mesmo me relatou sobre seus investimentos na área que ele segue como profissão, fiquei muito contente, ainda mais com o ânimo que me passava, e logo eu lhe disse palavras de incentivo e entusiasmo. Depois disto também fiquei animado e pensando comigo mesmo: “Temos que dedicar mesmo para melhorarmos nossas condições, sempre.” Encerramos a conversa e pelo seu tom de voz, percebi que ele havia notado minha felicidade por ele.

Diferentemente, estava eu outro dia na companhia de outras pessoas bem diferentes. Não tínhamos nenhuma ligação profissional, apenas conhecíamos uns aos outros. Durante o diálogo entre perguntas e curiosidades, surgiu certo assunto, ou melhor, dois novos assuntos, coisas que eu entendia que não era necessário ficar comentando, então só tive que relatar sobre eles porque houve quem questionou. Fui o mais breve e simples possível, dizendo em poucas palavras o que havia me acontecido, que por sinal era ótimo pra mim apenas. Esta pessoa abriu os olhos e quando eu acabei de falar, já difundiu mais perguntas. Respondi com educação, e em poucas palavras novamente, nisto o semblante da pessoa mudou, como se eu estivesse lhe dando péssimas notícias dela mesma. Notei que ela sentiu indisposição por causa da minha felicidade.

Isso caracterizou para mim, uma pessoa invejosa o que é bem diferente de alguém que tem ambição. Ser ambicioso é ter anseio e vontade por algo melhor, e vendo no lado bom deste sentido, o ambicioso quer melhores condições de vida e não se contenta com o básico. Neste significado a ambição propulsiona a pessoa a não ser acomodado. Já a inveja não tem nem como analisar o lado bom. Ainda mais quando a própria pessoa nota isso nos olhos de outras. Saber que uma pessoa é invejosa, é triste. Pior ainda é quando você enxerga a inveja no semblante dela.

Minha dica neste contexto seria: Tenha bastante cuidado, sobre o que você conversa com as pessoas. Elas não precisam saber seus planos e projetos, muito menos sobre os que já estão em andamento.
Meu amigo leitor, não que você precise excluir do seu grupo social tais pessoas que tem inveja, apenas evite que elas mesmas saibam sobre seu sucesso. Se ela souber que você está avançando barreiras desta vida através de seus gestos, trabalho, dedicação e esforço, tudo bem,  o que se deve evitar é você mesmo dar ouvidos às curiosidades delas. Saiba que nem sempre é possível detectar um invejoso, mas fique atento, quando estiver perto de pessoas que muito se atenta com teus afazeres, será exatamente aí que você deverá estar alerta.

Mas espere, existe uma pessoa especial a quem você pode confiar suas ideias, planos e projetos, sejam eles familiar ou profissional. Esta pessoa se preocupa com você, e conhece o mais profundo desejo do seu coração. Existem pessoas ao nosso lado que são assim, nossa mãe, nosso pai, o marido, a mulher, nossos irmãos, e os verdadeiros amigos.
Mas esse alguém, mais que especial, que me refiro, cuida de você, da sua família, da sua saúde, sabe até o seu pensamento. Esse alguém especial chama-se Jesus Cristo, e está sempre presente conosco em todos os dias de nossa existência. Basta crer que Ele existe e é o que recompensa a todos os que o buscam.
Para ele, você pode contar suas metas, suas ideias, seus sonhos... A única coisa que Ele vai fazer é te dar força para vencer e conseguir conquistar tudo. Bem diferente do “amigo” que não fica feliz com sua vitória.
O Senhor Jesus, alegra juntamente com você, torce intensamente por você, e entrega a vitória pra você!
Creia nisto, e quando fores o vencedor nestes sonhos e projetos, deixe Ele participar das suas conquistas também. Ele sim; merece participar conosco de tudo. Ele sim; deseja participar de tudo que acontece na sua vida.
Nele, você pode confiar!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Meu primeiro Fiat 147 (3ª parte).

Conversando com um amigo sobre o carro, ele havia me indicado um excelente profissional, que segundo ele, examinaria o carro e dentro de alguns minutos relataria o que tem de bom e de ruim. Interessado em saber o real estado da minha condução, cheguei cedo no estabelecimento e logo procurei pela pessoa indicada. Fui atendido rapidamente e o carro foi colocado em um elevador, logo foi para uma outra seção e lá mesmo o jovem me chamou. Tive umas notícias nada agradáveis, teria que trocar o carburador, jogo de velas, cabos do distribuidor, e só foi aumentando a lista.

Gastei mais uma grana, e o carro saiu de lá perfeito. Suspirando aliviado e devendo mais uns cheques para o mês seguinte, fui para casa, pois logo a tarde teria que trabalhar. Saindo de casa, olhei para o carro e fiquei decidindo se iria de ônibus ou não. A moleza falou mais alto, peguei o carro e fui ao trabalho. Mal sabia eu que na porta do serviço o 147 me pregaria mais uma peça. Chegou bem e na hora de ir para casa, funcionou à primeira girada da chave. O susto estaria por vir ao passar no primeira lombada. Um estralo seguido de uns barulhos de ferro sendo triturados... Pisei no freio, eram quase meia noite, eu batia a mão no volante tentando acreditar que tudo era um sonho... Talvez um pesadelo.

Novamente, lá vai o trabalhador que só queria ir para casa, buscar socorro, desta vez teria que ser um guincho, pois o rolamento da roda dianteira tinha “ido pro espaço.” Entre ligar para  um amigo e até o próprio irmão... Vários celulares desligados e outros apenas chamavam... Justamente na hora que eu mais precisava, não passava nem um ser vivo naquela longa avenida que seguia ao cemitério municipal. Tudo escuro, apenas as luzes amareladas dos postes e casas bem longe com suas luzes apagadas. Bati a porta com toda a força, e retornei à empresa na esperança de ter alguém lá ainda para me ajudar. Engano... Apenas o porteiro.

O carro não andava, a roda havia travado, até o momento eu não sabia que se tratava do rolamento, então o porteiro sugeriu que eu trocasse o pneu, afirmou que colocando o estepe, eu conseguiria chegar em casa, pois segundo ele, algo havia pegado na roda pelo lado de dentro e danificado. Usando uma lista telefônica, anotei o telefone do guincho e fui em direção ao carro. Levantei ele no “macaco”, tirei a roda que não aparentava nenhum dano e coloquei outra roda no lugar. Dei partida e tentei sair bem devagar, escutei um estralo do mesmo jeito e praticamente o carro agarrou naquele lugar e não saía mais... Desisti, chutei a roda e liguei para o guincho. Em poucos minutos o carro estava sendo levado.

No outro dia de manhã, chamei um mecânico do bairro e ele fez a troca do rolamento, foi exatamente nesta hora que fiquei sabendo do problema... Até que ficou barato comparado a situação em que estava na noite passada. Lavei o carro todinho para tirar as manchas de graxa que ficaram do mecânico, encerei a lataria, passei silicone no painel e “pretinho” nas rodas, e afirmei com voz firme: “Agora você está zero bala”. Guardei a chave e decidi deixá-lo guardado alguns dias.

Nesta fase da minha vida, eu já era casado e o outro carro ficava praticamente o dia inteiro com minha esposa, e diante de algumas situações como, sair atrasado de casa para o trabalho e  chuva, eu me via obrigado a ir no meu “fietin”. Era justamente nessas horas que ele me largava na mão, parecia coisa de outro mundo, se fosse um passeio ele ia e voltava tranquilamente, mas era só falar em compromisso ou horário marcado que ele já se recusava a me acompanhar.

Indo à um destes compromissos, saí de casa uma hora antes por causa do tempo, estava muito nublado, decidi sair tranquilamente, sem forçar o “bichinho”. Chegando ao centro da cidade, que era praticamente o meio do percurso, notei que a chuva estava vindo intensamente, eram aquelas gotas grossas e fortes. Para me ajudar, o limpador do para brisa não quis funcionar. Dentro do carro o vidro começou a embaçar, eu abria um pouco o vidro e a chuva molhava meu ombro esquerdo, eu fechava o vidro e não enxergava nada.

Consertei também o limpador, revisei a parte elétrica total, comprei duas palhetas novas e pelo meu trauma, nem quis afirmar nada... Já sabia que alguma coisa poderia acontecer. Quando eu já estava preocupado, acreditando que ter um 147 era sinônimo de andar a pé, vi do outro lado da rua três pessoas empurrando um. Justamente, todos empurravam aquele que deveria estar levando-os. Era um abuso. Olhei para o meu e falei como se ele pudesse me escutar: “Olha aqui, a próxima vez que você fazer eu te empurrar, vou trocar você nem que seja por uma bicicleta!” Parecia que ele havia me escutado, pois durante um bom tempo ele não deu um problema sequer. Até animei, já estava pensando em refazer o interior, para ficar como no modelo original da época...

>continua...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Meu primeiro Fiat 147 (2ª parte).

Certa vez recebi uma promoção na empresa. A psicóloga que cuidava desses assuntos havia me ligado e marcado um horário para tratarmos desse assunto. Anotei tudo como de costume, data, hora, local e coloquei como lembrete. Chegando o dia, decidi sair de casa meia hora antes, calculando o tempo de percurso e uns minutos a mais para aguardar.
Entrei no carro e segui em direção à empresa que trabalhava. Exatamente no meio do caminho, parei no posto e coloquei alguns litros para garantir a volta para casa. Feito o abastecimento, dei partida e nada. O motor girava e não pegava.

Mas o que será que está acontecendo? O carro andava normalmente, foi só abastecer que parou de funcionar. O frentista já veio dando explicações que o combustível era puro e logo eu o interrompi alegando que não estava culpando ele ou o combustível. Ele se ofereceu para empurrar o carro e eu aceitei. O carro desceu meio quarteirão embalado e quando tentei dar o tranco... Nada!

Olhei para trás e o frentista fingindo que não percebeu que o carro não funcionou, correu para o posto. Tudo bem, empurrei o carro mais a metade do quarteirão, entrei dentro dele, esbarrando na porta e sem jeito, pisei na embreagem para engatar a marcha e dar o tranco... Simplesmente a marcha não entrava. Encostei o carro na outra esquina quando começava a ser uma subida e decidi empurrar o carro de volta, afim de aproveitar a mesma ladeira.
Como pode um carro tão pequeno, pesar tanto?

Suei por mais de dez minutos e sentei no banco pensando no que poderia ter ocorrido. Sem respostas e de olho no relógio, tranquei o carro ali mesmo e segui para o encontro com a psicóloga. Durante a conversa minha mente estava ligada ao carro e nem observava direito o que ela falava. No gesto de balançar a cabeça, dando a entender que estava interessado no assunto, eu me questionava sobre o apagão do dia... Meu 147.

Depois de encerrada, como já era decisão deles a promoção da função na empresa, saí de lá satisfeito e motivado, no mesmo instante em que estava preocupado. Caminhei até o carro e abri a porta, pedi pra Deus para que aquele carro funcionasse e logo na primeira partida o carro pegou. De tanta raiva que senti por não entender como aquilo tudo havia acontecido, dei uma acelerada tão forte, pois talvez fosse alguma sujeira no carburador que estivesse impedindo a passagem do combustível, nesta acelerada o escapamento liberou um estouro e uma grande nuvem de fumaça em seguida apagou... Pensei: “acabei de fundir o motor”!

Decidi não ligar o carro, caminhei a pé e procurei uma oficina por ali, encontrei um senhor magro, baixo e que fumava cigarro de palha. Ele se identificou como mecânico e me perguntou sobre o local em que se encontrava o carro. Demonstrando ser bem prestativo, entrou em sua oficina de bicicleta e pegou uma caixa de ferramentas bem pesada. Ofereci-me para levar a caixa, mas ele não aceitou e disse ainda ter muita força e inteligência para trabalhar. Chegando até o carro ele mesmo abriu a tampa do motor, logo pegou chave de fenda e alicate, mexeu uns cinco minutos e falou: “Pode girar a chave que ele vai pegar”! Exatamente! Funcionou! E de lá mesmo com as mãos no carburador, ele mesmo acelerava, no máximo... Ficou joia!



Agradeci-o enquanto escutava o barulho do motor, e perguntei: “E aí amigo, quanto é”? Ele respondeu: “Eu não costumo dar socorro porque é caro! Me dá aí cinquenta reais que tá bom”!
Assustado com o preço, disse a ele que não tinha aquele dinheiro na carteira, mas que poderia dar a ele vinte reais, o que estaria de bom tamanho em cinco minutos de trabalho. O velhinho respondeu: “Isso que dá, trabalhar pra pobre”!
Eu fiz questão de entregar o dinheiro que tinha na carteira e prometi retornar e pagar o restante mais tarde. Ele simplesmente saiu andando e ignorou...
Eu estava disposto a dar o restante, chorando, mas estava... Ele que não quis esperar...

>continua...

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Motoristas VS ciclistas.

O trajeto de alguns anos atrás que era realizado em alguns minutos de automóvel, hoje equivale a duas ou três vezes mais. O trânsito é alterado com frequência, fazendo com que ruas que tinham duplo sentido passassem a ter sentido único, semáforos instalados em diversos pontos da avenida e novos radares em cada cruzamento que passa a ser mais crítico.

São muitos os incentivos dos especialistas em tráfegos urbanos para desafogar o trânsito; como, optar pelo transporte público, carona com pessoas (conhecidas) que praticamente estão indo ao mesmo destino e a saudosa bicicleta. Está cada vez mais difícil ficar com a última opção. Bicicletas são vistas como frágeis e poucos querem deixar o conforto do estofamento do carro para se acomodar no banco da bicicleta, chegar suado e com o cabelo arrepiado.

Comumente são noticiados acidentes envolvendo ciclistas. Sempre em plena desvantagem, a bicicleta não consegue competir com o veículo nos quesitos: segurança, velocidade, proteção.
Já quem conduz o automóvel, está muito mais amparado por estes itens e neste aspecto nem precisa comentários.

Diante dos noticiários expostos com toda clareza, o medo assume seu lugar e a ideia de usar aquela bike para o trabalho, evapora. Como andar de bicicleta em um lugar onde as pessoas usam as avenidas como pistas de corrida? Como deixar o carro na garagem e pedalar nas ruas mais simples, sendo que o motorista que está no caminhão nem mantém a distância lateral obrigatória de um metro e cinquenta  centímetros?

Quase não existem ciclovias nas grandes cidades e nas cidades menores nem se fala nisso. Como querem sugerir uma melhoria se não apontam um incentivo mínimo, sendo este incentivo o simples fato de se ter segurança para pedalar? De que adianta falar, projetar, sonhar...

Se quiserem que mais pessoas utilizem suas bicicletas e deixem os carros em suas respectivas garagens, preparem, construam, concretizem o projeto que realmente trará melhorias no tráfego urbano e ao ar que respiramos. Se todos pensassem no outro por ser mais fraco, se todos se preocupassem com o próximo que inspira atenção e cuidado, não haveria tantos acidentes envolvendo veículos de menor porte.

No próximo dia 13 deste mês, completa-se um mês da morte de um ciclista na capital de São Paulo. Este era um senhor de 68 anos que atuava como presidente conselheiro de uma empresa. Tinha condições de andar de carro importado, mas preferia e amava as bicicletas, não por necessidade, mas por hobby. Logo  a falta de cuidado de alguém que se aproximava em um veículo maior e a falta de condições da via para receber tais ciclistas, foram somados e logo subtraíram uma vida de um ser humano.

Se realmente houver interesse da parte de autoridades para desafogar o caótico trânsito das cidades e se houver o real interesse numa melhoria do ar que respiramos, as bicicletas são ótimas aliadas... Desde que exista cuidado e respeito ao ciclista.

sábado, 9 de julho de 2011

Mãe... Cadê a minha meia?

O ano era 1996, eu tinha apenas 13 anos. Sempre fui muito cuidadoso com as minhas coisas, mas só com as minhas. Algo que era dos meus irmãos ou emprestado, não recebia os mesmos cuidados meus. Nesta fase, eu era bastante egoísta e detestava emprestar brinquedos ou roupas.
Eu havia ganhado um par de meias de algodão na cor branca, e para me ajudar nos cuidados,  eu era exatamente o único que possuía meias naquela cor.
Assim que eram lavadas, logo eu guardava bem no fundo da gaveta para não correr o risco de meus irmãos pegarem e na ânsia de guardar tão bem, nem eu mesmo as encontrava depois.

Certo dia me preparando para sair, procurei as meias que deveriam estar na minha gaveta e depois de revirá-la completamente, não encontrei. Gritei desesperadamente: "Manhê! Cadê a minha meia branca?"
Ela em seguida me respondeu que não sabia. Nisso me deu uma sensação... A mesma de quem acaba de ser furtado. Saí desesperado para procurar nas gavetas dos meus irmãos e nada encontrei. Fui até a sala, olhei para meu irmão caçula e notei que o menino estava de bermuda e chinelo, retornei ao quarto novamente e encontrei o irmão mais velho.

Acreditei cegamente que ele estaria com elas quando minha mãe chegou no quarto estranhando meu desespero por causa de uma simples meia branca. Ao notar que meu irmão usava calças compridas e sapato, avancei sobre a barra da calça dele e gritei: "Tá vendo ó... "
Firmei as vistas e encarei bem para perceber que ele estava simplesmente sem meias.
Sendo ele muito branco, me confundiu por alguns segundos, logo me ergui, olhei para minha mãe e para meu irmão e comecei a rir da cena. Ele de tão branco, parecia estar usando minhas meias.

Depois de tanto rir, resolvi tirar a gaveta do lugar e percebi que a meia havia caído bem na parte do assoalho do guarda-roupa.
Amigo leitor, essa história justifica a imagem da postagem e um apelido que meu irmão deveria ter recebido naquele dia, não recebeu por falta de inspiração, seria: "O perna de palmito".

(Histórias reais de minha infância - Jefferson Nunes)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Os dois lados da catraca.



Quando se pensa em mudanças no trânsito de todas as cidades, a primeira regra que se segue é projetar a via para o bom  fluxo de veículos  facilitando em primeiro lugar  o transporte público, ou seja, ônibus coletivo. Muito se pensa, bastante se faz, mas o problema não existe somente aonde trafega tais “jardineiras”, o problema também existe dentro delas entre os dois lados da catraca: motorista e passageiro.

Já não bastasse o calor escaldante sobre a cabeça e a falta de um abrigo no ponto de ônibus; o horário previsto está ali apenas de faixada para preencher espaço na propaganda da prefeitura municipal. De repente, como numa visão de um oásis, lá vem o tão esperado ônibus para levar uns para o  trabalho, outros até suas casas, outros à escola e outros para a farra.

O motorista nem completa a manobra de estacionamento e já tem gente segurando nas portas aguardando a abertura. Há momentos que nem precisa fazer força para subir os degraus, basta levantar as pernas que os próprios colegas de ponto te conduzem para dentro. Suor, reclamação, calor, sacolas de compras e criança chorando. Se para um trajeto simples, é terrível os minutos até o destino, imagina o motorista que em sua jornada de mais de oito horas vê, ouve e aguenta todo dia a mesma coisa.

Uma verdadeira lata de sardinha com itinerário. Durante o trajeto, uma freada mais brusca aqui e outra arrancada mais forte ali, já totaliza todo incentivo para que meia dúzia de pessoas comece a falar mal da mãe do condutor.
Uma curva mais fechada de lá, uma passada mais ágil sobre o obstáculo, e mais uma vez aquela meia dúzia de barraqueiros voltam a proferir versos para a genitora do motorista.

De que é feito o ser humano? Acaso existe alguém melhor do que outro realmente? Ainda mais ali dentro, quando todos pagaram a mesma tarifa e embarcaram sabendo que se tratava de um transporte coletivo. A arrogância chegou aos lugares onde se menos cabia, na lotação do ônibus.

Será que a sensação de pronunciar palavras que machucam os sentimentos de outras pessoas, pode resultar  o efeito de desabafo. Logicamente que não. Desabafar não é descarregar em qualquer pessoa toda a raiva de um dia inteiro, desabafo não é procurar um para pagar a dívida de um período de tolerâncias que expirou.
Enquanto as pessoas agirem desta forma, o simples fato de ir para casa pode se tornar enfadonho.

Isso quando do outro lado da catraca, não existe outro preparado com mil palavras na ponta da língua para retrucar um implicante, devendo apaziguar, acaba por inflamar.
Andar de ônibus nos dias atuais acaba sendo uma segunda missão diária, depois do primeiro labor.
Quando encontrares alguém “cuspindo fogo”, não tente apagar sua ira com um  “balde de gasolina”. Lembre-se: A palavra branda alivia o furor.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Meu primeiro Fiat 147 (1ª parte).

Quem nunca possuiu um Fiat 147, não sabe o que é ficar na mão.
 Mas antes de "lavar a roupa suja" veja que esse veículo foi pioneiro em:
*Primeiro carro brasileiro com motor transversal dianteiro,
*Primeiro carro no Brasil com coluna articulada,
*Primeiro carro a álcool fabricado em série em todo o mundo, sendo a partir do ano 1976.


Um carro pequeno, fácil de manobrar, melhor de estacionar devido a grande capacidade de esterçar as rodas.
Confesso que  me deixou por um bom tempo à sua procura. Já tive outros carros, sempre gostei de modelos antigos independente do modelo; não necessitava justamente deste carro, mas era uma espécie de vontade.
Sempre gostei de modelos da década de 70, 80,  pelos  seus detalhes inconfundíveis, que na época era sinal de luxo e tecnologia.

Deixei de possuir uma moto para ter o meu primeiro 147, a história começa assim:
Numa tarde de sol, estava eu de folga e resolvi ir ao salão onde costumo cortar o cabelo, entre um cliente e outro, chegou a minha vez, sentei naquela poltrona, fui girado para o lado do espelho e esperei o cabelo deixar meu couro cabeludo de vez. Num determinado instante, adentra o estabelecimento um cliente que aguarda a vez, e ao ser informado do tempo que teria de esperar, já pega um jornal e vai ler.
O cliente relata que tem um carro pra vender, logo o dono do salão questiona a marca, cor e valor. Em seguida, ouço com toda clareza:  Tenho um "fietin"  pra vender, bege, dois mil reais...
O barbeiro logo pergunta onde está o carro e o cliente indica o endereço.


Eu na minha facilidade de memória, já havia gravado tudo e demonstrava nem estar apercebido da conversa entre eles. Ao encerrar fiz o pagamento pelo serviço e logo fui na direção do endereço para ter uma breve noção, ficaria mais fácil voltar lá a noite.
Dito e feito, lá estava eu na porta da residência procurando pelo vendedor que gentilmente me atendeu, mas não reconheceu. Tudo combinado, vendi uma boa moto e peguei os dois mil reais para ficar com o carro. Lembro que o antigo dono falava que aquele carro precisava de um bom dono, pois estava muito tempo parado e quase não andavam nele mais. Era tudo que eu queria, e o 147 me desejava também.


Levei pra casa, dei uma geral, encerei e comecei a consertar algumas coisas básicas. Uma lâmpada queimada, um parafuso bambo, um acabamento descolando...
Aquele cheiro do álcool na primeira partida de manhã, lembrava o carro que meu pai trabalhava quando eu ainda era muito pequeno, o mesmo fiat 147. As pessoas criticavam, zombavam e até riam por eu possuir um carrinho deste tamanho, mas era o carro que eu queria comprar, ora!
As marchas curtinhas, o painel com aquelas saídas de ar redondas e o barulho do motor eram como um grande brinquedo que papai Noel havia me dado.
                                                                                                                                                                                                 >  continua...

Ainda pensa que sai no lucro...

jeffersonnunesblog.blogspot.com

Era de se esperar, a madame aproveita o sinal amarelo e com um movimento repentino acelera seu veículo em direção ao cruzamento, acreditando assim ganhar tempo ao invés de ficar apenas mais trinta e cinco segundos naquele semáforo. Pelo sentido contrário um carro bem mais velho realizando a conversão e aí: Pimba! Arranhou, chocou, estragou.
A mesma madame tem que aguardar sem pressa os trabalhos de praxe como, atendimento médico se houver ferido, boletim policial, guincho, se danificou sistema de locomoção, etc...
Nem se dá por entendida quando vê os mesmos veículos que outrora foram ultrapassados por ela seguindo normalmente. Infelizmente, aqueles trinta e cinco segundos ficariam bem mais barato do que toda essa mão de obra.

O posto de combustível que acabamos de passar mostra o preço do litro apenas um ou dois centavos acima do preço do mesmo combustível do final da avenida, há apenas um quilômetro atrás. Basta fazer um retorno, vira aqui, vira ali, anda mais uns quarteirões e pronto, chegou no posto mais barato, um ou dois centavos.
Nem enchendo o tanque compensaria tal diferença, mas a sensação de estar pagando menos deixa a pessoa satisfeita, como se estivesse realizando o maior negócio da vida.

O produto na prateleira do supermercado, o eletroeletrônico da loja ou um utensílio simples doméstico, tem seus preços e variedades aos montes espalhados nos estabelecimentos.  Deixando de comprar certo produto, por acreditar que a marca cobra mais da metade do real valor, o consumidor se deixa levar pelo “mais em conta”. A durabilidade e o resultado, condenam de imediato o gesto de achar que a marca não conta nada.

Contratação de serviços... O profissional “José” estipula o preço justo para que tal serviço a pedido do cliente seja feito da maneira desejada. O faz tudo “João” com seu preço pechinchado, declara que presta os mesmos serviços e revela que não tem segredo e que o cliente terá o mesmo resultado. Dias depois, o amargo arrependimento de não valorizar o verdadeiro profissional da área.

Quem nunca caiu nessas armadilhas? A pressa para  chegar em casa, a gasolina mais barata, o creme que irrita a pele, o ajudante de servente que se passa por pedreiro...
Quem nunca caiu numa dessas pensando que estaria lucrando, que desembolse o primeiro centavo.