quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O dia da vacinação animal...


Na época de vacinação animal em 1999, fui intimado e incumbido  pela minha mãe, de levar  os três  gatos que tínhamos para receber a vacina. Os agentes que aplicavam tal dose, estavam há apenas três quarteirões de nossa casa e mesmo assim eu precisava bolar um plano para levar os bichanos em apenas uma viagem.
Meu irmão mais velho não estava em casa no momento, então olhei bem para o caçula e logo o convoquei para a árdua missão: Vacinar o trio.

Dois gatos estavam em casa, pra variar, dormindo. Isso eram nove horas da manhã. Por volta de dez  horas, chegou o terceiro gato, ele estava em uma de suas caminhadas pelos telhados vizinhos, mal sabia ele que eu estava aguardando sua presença para logo mais cooperar na agulhada em seu lombo. Procurei uma caixa maior para leva-los e nada encontrei. Minha mãe veio com uma sugestão de colocar os gatos em um saco, mas tive pena dos felinos e decidi inventar um meio mais amoroso a favor deles.

Meu irmão caçula sugeriu leva-los  nos braços, mas e se eles se assustassem com os veículos na rua? Ou com as pessoas? Correríamos o risco de o gato escapar, atravessar a rua em seu estado desesperador e ser atropelado por algum carro. Já pensando nas futuras consequências, optamos por levar o gato debaixo da camisa, assim eles estariam em contato conosco e se sentiriam seguros, mesmo ouvindo o som do trânsito.

Mas teríamos que ir uma vez com os dois e logo retornar para vacinar mais um... Nisso eu tive uma ideia: O caçula levaria o gato maior e eu sendo o mais velho naquele instante, levaria os outros dois gatos. Certo! Colocamos aqueles gatos por baixo da camisa e caminhamos tranquilamente pela rua.

Eles eram muito mansos, podiam ouvir o barulho de motos, carros, pessoas e ficavam tranquilos, como que estivessem preparando para dormir. Ali debaixo da blusa, se sentiram confortáveis e isentos de qualquer risco. Nem imaginavam  que caminhavam para a beliscada da seringa.

Chegando ao lugar, informei ao agente que faria a aplicação, que eu portava dois gatos comigo e meu irmão, o terceiro gato. Ele anotou uns dados em umas folhas, entregou a nós e pediu para que segurássemos os animais para a aplicação. Meu irmão posicionou o gato de forma segura e o agente segurava o animal e aplicava a vacina com segurança.

Chegou a minha vez, ou melhor, a vez dos gatinhos de receberem a dose que os protegeriam da tão falada doença contagiosa entre eles: A raiva.

Tinham mais pessoas para vacinar seus cães e gatos e parecia que os gatos sentiam a presença dos seus inimigos mortais, optei então por permanecer com os gatos embaixo da blusa. O agente perguntou se eu tinha certeza daquilo e eu afirmei com toda certeza que se podia haver naquele instante. Afinal, se os gatos vissem os cachorros, talvez fugissem de medo e se perderiam naquele lugar.

O agente levantou parte da minha camisa enquanto eu segurava os gatos com os dois braços, assim que ele avistou o lombo do primeiro bichano, introduziu a agulha em sua pele... Foi aí nessa hora que eu queria ter conhecido o Doutor do filme “De volta para o futuro” de verdade... Se eu pudesse voltar no tempo, estaria na minha casa, assistindo desenho animado no sofá, sentindo o cheiro do preparo do almoço que minha mãe estaria fazendo e aguardando a hora de comer em paz... Se eu pudesse voltar no tempo, levaria os gatos em um saco bem grande e reforçado para deixar eles se sacudirem, pularem, unharem um ao outro a vontade... Tudo isso para essa reação não acontecer em cima do meu peito e colado na minha barriga.

O que recebeu a primeira dose começou a patinar em minha pele, cravando suas unhas nas proximidades do meu umbigo, e a única coisa que notei, foi que o outro assustado fazia um barulho parecido com: Ftssss ftsssss!!!
E logo saiu desesperado quase que pela manga da camisa.

Correndo desesperado, se livrando dos cachorros na fila, sumiu! Nem recebeu sua dose contra a raiva. O vacinado foi praticamente expulso de debaixo da minha camisa por mim, enquanto eu tentava entender o que estava acontecendo; parecia que eu tinha recebido no peito, vários litros de água gelada na época do mais severo inverno.

Fomos embora com apenas um gato para casa, contamos para minha mãe o ocorrido e recebi ainda uma bronca de gorjeta. Como não sabia qual dos dois recebeu a vacina, desisti de leva-los novamente, mesmo assim, eles só apareceram no final da tarde. A vacina provocou efeito colateral nos felinos, o que era para ser contra, virou pró. Era para impedir a doença “raiva” e acabou incentivando a “ira” deles. Eu que levei a pior... Ah se eu pudesse voltar no tempo...

2 comentários:

  1. hahaha... brincadeira em!!! e eu nem estava lá para ver tal cena... kkkkkk!!!


    Geraldo Filho - Uberaba/MG

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  2. Oi Jef! seu blog tá cada dia mió. continue escrevendo coisas legais e diferentes.
    Bjs. fuiiiiiiii
    Iralva

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