quinta-feira, 7 de julho de 2011

Os dois lados da catraca.



Quando se pensa em mudanças no trânsito de todas as cidades, a primeira regra que se segue é projetar a via para o bom  fluxo de veículos  facilitando em primeiro lugar  o transporte público, ou seja, ônibus coletivo. Muito se pensa, bastante se faz, mas o problema não existe somente aonde trafega tais “jardineiras”, o problema também existe dentro delas entre os dois lados da catraca: motorista e passageiro.

Já não bastasse o calor escaldante sobre a cabeça e a falta de um abrigo no ponto de ônibus; o horário previsto está ali apenas de faixada para preencher espaço na propaganda da prefeitura municipal. De repente, como numa visão de um oásis, lá vem o tão esperado ônibus para levar uns para o  trabalho, outros até suas casas, outros à escola e outros para a farra.

O motorista nem completa a manobra de estacionamento e já tem gente segurando nas portas aguardando a abertura. Há momentos que nem precisa fazer força para subir os degraus, basta levantar as pernas que os próprios colegas de ponto te conduzem para dentro. Suor, reclamação, calor, sacolas de compras e criança chorando. Se para um trajeto simples, é terrível os minutos até o destino, imagina o motorista que em sua jornada de mais de oito horas vê, ouve e aguenta todo dia a mesma coisa.

Uma verdadeira lata de sardinha com itinerário. Durante o trajeto, uma freada mais brusca aqui e outra arrancada mais forte ali, já totaliza todo incentivo para que meia dúzia de pessoas comece a falar mal da mãe do condutor.
Uma curva mais fechada de lá, uma passada mais ágil sobre o obstáculo, e mais uma vez aquela meia dúzia de barraqueiros voltam a proferir versos para a genitora do motorista.

De que é feito o ser humano? Acaso existe alguém melhor do que outro realmente? Ainda mais ali dentro, quando todos pagaram a mesma tarifa e embarcaram sabendo que se tratava de um transporte coletivo. A arrogância chegou aos lugares onde se menos cabia, na lotação do ônibus.

Será que a sensação de pronunciar palavras que machucam os sentimentos de outras pessoas, pode resultar  o efeito de desabafo. Logicamente que não. Desabafar não é descarregar em qualquer pessoa toda a raiva de um dia inteiro, desabafo não é procurar um para pagar a dívida de um período de tolerâncias que expirou.
Enquanto as pessoas agirem desta forma, o simples fato de ir para casa pode se tornar enfadonho.

Isso quando do outro lado da catraca, não existe outro preparado com mil palavras na ponta da língua para retrucar um implicante, devendo apaziguar, acaba por inflamar.
Andar de ônibus nos dias atuais acaba sendo uma segunda missão diária, depois do primeiro labor.
Quando encontrares alguém “cuspindo fogo”, não tente apagar sua ira com um  “balde de gasolina”. Lembre-se: A palavra branda alivia o furor.

Um comentário:

  1. Olha... quer saber... a galerinha do ônibus, é complicada... se corre acham ruim, se anda normal falam que é um absurdo, pois estão atrasados. Muito difícil, agradar a todos, principalmente por ser um coletivo... ou seja um aglomerado de sujeitos que não tem condução própria para se locomoverem e acham que o motorista é chofer deles por R$ 2,20... rsrsrs... se querem um chofer chamem um táxi... e mesmo assim eles não vão andar do jeito que querem...

    GSNF - Uberaba

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