terça-feira, 19 de julho de 2011

Meu primeiro Fiat 147 (3ª parte).

Conversando com um amigo sobre o carro, ele havia me indicado um excelente profissional, que segundo ele, examinaria o carro e dentro de alguns minutos relataria o que tem de bom e de ruim. Interessado em saber o real estado da minha condução, cheguei cedo no estabelecimento e logo procurei pela pessoa indicada. Fui atendido rapidamente e o carro foi colocado em um elevador, logo foi para uma outra seção e lá mesmo o jovem me chamou. Tive umas notícias nada agradáveis, teria que trocar o carburador, jogo de velas, cabos do distribuidor, e só foi aumentando a lista.

Gastei mais uma grana, e o carro saiu de lá perfeito. Suspirando aliviado e devendo mais uns cheques para o mês seguinte, fui para casa, pois logo a tarde teria que trabalhar. Saindo de casa, olhei para o carro e fiquei decidindo se iria de ônibus ou não. A moleza falou mais alto, peguei o carro e fui ao trabalho. Mal sabia eu que na porta do serviço o 147 me pregaria mais uma peça. Chegou bem e na hora de ir para casa, funcionou à primeira girada da chave. O susto estaria por vir ao passar no primeira lombada. Um estralo seguido de uns barulhos de ferro sendo triturados... Pisei no freio, eram quase meia noite, eu batia a mão no volante tentando acreditar que tudo era um sonho... Talvez um pesadelo.

Novamente, lá vai o trabalhador que só queria ir para casa, buscar socorro, desta vez teria que ser um guincho, pois o rolamento da roda dianteira tinha “ido pro espaço.” Entre ligar para  um amigo e até o próprio irmão... Vários celulares desligados e outros apenas chamavam... Justamente na hora que eu mais precisava, não passava nem um ser vivo naquela longa avenida que seguia ao cemitério municipal. Tudo escuro, apenas as luzes amareladas dos postes e casas bem longe com suas luzes apagadas. Bati a porta com toda a força, e retornei à empresa na esperança de ter alguém lá ainda para me ajudar. Engano... Apenas o porteiro.

O carro não andava, a roda havia travado, até o momento eu não sabia que se tratava do rolamento, então o porteiro sugeriu que eu trocasse o pneu, afirmou que colocando o estepe, eu conseguiria chegar em casa, pois segundo ele, algo havia pegado na roda pelo lado de dentro e danificado. Usando uma lista telefônica, anotei o telefone do guincho e fui em direção ao carro. Levantei ele no “macaco”, tirei a roda que não aparentava nenhum dano e coloquei outra roda no lugar. Dei partida e tentei sair bem devagar, escutei um estralo do mesmo jeito e praticamente o carro agarrou naquele lugar e não saía mais... Desisti, chutei a roda e liguei para o guincho. Em poucos minutos o carro estava sendo levado.

No outro dia de manhã, chamei um mecânico do bairro e ele fez a troca do rolamento, foi exatamente nesta hora que fiquei sabendo do problema... Até que ficou barato comparado a situação em que estava na noite passada. Lavei o carro todinho para tirar as manchas de graxa que ficaram do mecânico, encerei a lataria, passei silicone no painel e “pretinho” nas rodas, e afirmei com voz firme: “Agora você está zero bala”. Guardei a chave e decidi deixá-lo guardado alguns dias.

Nesta fase da minha vida, eu já era casado e o outro carro ficava praticamente o dia inteiro com minha esposa, e diante de algumas situações como, sair atrasado de casa para o trabalho e  chuva, eu me via obrigado a ir no meu “fietin”. Era justamente nessas horas que ele me largava na mão, parecia coisa de outro mundo, se fosse um passeio ele ia e voltava tranquilamente, mas era só falar em compromisso ou horário marcado que ele já se recusava a me acompanhar.

Indo à um destes compromissos, saí de casa uma hora antes por causa do tempo, estava muito nublado, decidi sair tranquilamente, sem forçar o “bichinho”. Chegando ao centro da cidade, que era praticamente o meio do percurso, notei que a chuva estava vindo intensamente, eram aquelas gotas grossas e fortes. Para me ajudar, o limpador do para brisa não quis funcionar. Dentro do carro o vidro começou a embaçar, eu abria um pouco o vidro e a chuva molhava meu ombro esquerdo, eu fechava o vidro e não enxergava nada.

Consertei também o limpador, revisei a parte elétrica total, comprei duas palhetas novas e pelo meu trauma, nem quis afirmar nada... Já sabia que alguma coisa poderia acontecer. Quando eu já estava preocupado, acreditando que ter um 147 era sinônimo de andar a pé, vi do outro lado da rua três pessoas empurrando um. Justamente, todos empurravam aquele que deveria estar levando-os. Era um abuso. Olhei para o meu e falei como se ele pudesse me escutar: “Olha aqui, a próxima vez que você fazer eu te empurrar, vou trocar você nem que seja por uma bicicleta!” Parecia que ele havia me escutado, pois durante um bom tempo ele não deu um problema sequer. Até animei, já estava pensando em refazer o interior, para ficar como no modelo original da época...

>continua...

Um comentário:

  1. como é que é... vai virar filme de harry potter???
    Posta todas as continuações de uma vez... sacanagem... Já estou com gases, pra saber como acaba...kkkkk!!!!!

    ResponderExcluir