quarta-feira, 13 de julho de 2011

Meu primeiro Fiat 147 (2ª parte).

Certa vez recebi uma promoção na empresa. A psicóloga que cuidava desses assuntos havia me ligado e marcado um horário para tratarmos desse assunto. Anotei tudo como de costume, data, hora, local e coloquei como lembrete. Chegando o dia, decidi sair de casa meia hora antes, calculando o tempo de percurso e uns minutos a mais para aguardar.
Entrei no carro e segui em direção à empresa que trabalhava. Exatamente no meio do caminho, parei no posto e coloquei alguns litros para garantir a volta para casa. Feito o abastecimento, dei partida e nada. O motor girava e não pegava.

Mas o que será que está acontecendo? O carro andava normalmente, foi só abastecer que parou de funcionar. O frentista já veio dando explicações que o combustível era puro e logo eu o interrompi alegando que não estava culpando ele ou o combustível. Ele se ofereceu para empurrar o carro e eu aceitei. O carro desceu meio quarteirão embalado e quando tentei dar o tranco... Nada!

Olhei para trás e o frentista fingindo que não percebeu que o carro não funcionou, correu para o posto. Tudo bem, empurrei o carro mais a metade do quarteirão, entrei dentro dele, esbarrando na porta e sem jeito, pisei na embreagem para engatar a marcha e dar o tranco... Simplesmente a marcha não entrava. Encostei o carro na outra esquina quando começava a ser uma subida e decidi empurrar o carro de volta, afim de aproveitar a mesma ladeira.
Como pode um carro tão pequeno, pesar tanto?

Suei por mais de dez minutos e sentei no banco pensando no que poderia ter ocorrido. Sem respostas e de olho no relógio, tranquei o carro ali mesmo e segui para o encontro com a psicóloga. Durante a conversa minha mente estava ligada ao carro e nem observava direito o que ela falava. No gesto de balançar a cabeça, dando a entender que estava interessado no assunto, eu me questionava sobre o apagão do dia... Meu 147.

Depois de encerrada, como já era decisão deles a promoção da função na empresa, saí de lá satisfeito e motivado, no mesmo instante em que estava preocupado. Caminhei até o carro e abri a porta, pedi pra Deus para que aquele carro funcionasse e logo na primeira partida o carro pegou. De tanta raiva que senti por não entender como aquilo tudo havia acontecido, dei uma acelerada tão forte, pois talvez fosse alguma sujeira no carburador que estivesse impedindo a passagem do combustível, nesta acelerada o escapamento liberou um estouro e uma grande nuvem de fumaça em seguida apagou... Pensei: “acabei de fundir o motor”!

Decidi não ligar o carro, caminhei a pé e procurei uma oficina por ali, encontrei um senhor magro, baixo e que fumava cigarro de palha. Ele se identificou como mecânico e me perguntou sobre o local em que se encontrava o carro. Demonstrando ser bem prestativo, entrou em sua oficina de bicicleta e pegou uma caixa de ferramentas bem pesada. Ofereci-me para levar a caixa, mas ele não aceitou e disse ainda ter muita força e inteligência para trabalhar. Chegando até o carro ele mesmo abriu a tampa do motor, logo pegou chave de fenda e alicate, mexeu uns cinco minutos e falou: “Pode girar a chave que ele vai pegar”! Exatamente! Funcionou! E de lá mesmo com as mãos no carburador, ele mesmo acelerava, no máximo... Ficou joia!



Agradeci-o enquanto escutava o barulho do motor, e perguntei: “E aí amigo, quanto é”? Ele respondeu: “Eu não costumo dar socorro porque é caro! Me dá aí cinquenta reais que tá bom”!
Assustado com o preço, disse a ele que não tinha aquele dinheiro na carteira, mas que poderia dar a ele vinte reais, o que estaria de bom tamanho em cinco minutos de trabalho. O velhinho respondeu: “Isso que dá, trabalhar pra pobre”!
Eu fiz questão de entregar o dinheiro que tinha na carteira e prometi retornar e pagar o restante mais tarde. Ele simplesmente saiu andando e ignorou...
Eu estava disposto a dar o restante, chorando, mas estava... Ele que não quis esperar...

>continua...

Um comentário:

  1. Olha, as vezes impresvisto acontece qdo menos esperamos. Ainda bem q a promoção do emprego saiu, pior seria se ñ tivesse saído e vc ainda teria q pagar o tal mecânico.
    Mas só por curiosidade, vc voltou lá pra pagar o restante pra ele? rsrs

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